10 discos portugueses imperdíveis de 2014

João Rocha Pereira


Terminado o ano de 2014, o inevitável balanço retrospectivo que se traça sob a música nacional dificilmente seria mais favorável: sejam quais forem os gostos musicais de cada um, é tarefa quase impossível não encontrar algo criado em solo português que não vá de encontro aos nossos desejos sonoros. E se a cada ano esta fasquia vai sendo mais elevada, também isso é um sinal do reconhecimento e exigência colocada perante os artistas, bandas e músicos que suam para nos apresentar as suas últimas criações.

2014 assistiu a regressos, confirmações, estreias e algumas surpresas no que a lançamentos diz respeito. Abaixo, encontram-se listados por ordem alfabética os dez discos nacionais que mais me acompanharam ao longo do ano — uma selecção difícil, já que as coisas que valeram a pena ouvir foram muitas mais que esta dezena. Que 2015 seja, pelo menos, tão produtivo e valoroso para os nossos ouvidos, que nós cá estaremos para o receber com todo o prazer.

 

 

1. B Fachada - B Fachada

 

 

Ultrapassado o período sabático que tornou 2013 um ano um pouco pior para todos nós, o final de Julho deste ano assinalou o regresso de B Fachada aos discos. E não foi preciso ir muito além dos primeiros acordes do sintetizador em Camuflado para nos apercebermos o quanto lhe tínhamos sentido a falta. Seis canções que constituem o seu terceiro disco homónimo e servem como uma espécie de sequela espiritual ao fabuloso cenário de beats e samples do anterior Criôlo só nos fizeram desejar que novo hiato esteja tão longe quanto possível.

 


 


2. Black Bombaim – FarOut

 

  PLAY: Black Bombaim - Africa II

 

Pertenceu ao trio barcelense um dos momentos mais punk-rock do ano em palcos nacionais, quando num concerto na Casa Azul em Barcelos em que se faziam acompanhar do Isaiah Mitchell e outros ilustres — durante o Milhões de Festa — foram interrompidos por alguns agentes da polícia que não se coibiram de desligar os amplificadores quando o set já estava a terminar. De pés bem menos assentes na terra, foram também responsáveis por FarOut, título absolutamente perfeito para descrever a viagem cósmica mais grandiosa que tivemos o prazer de experienciar este ano.

 


 


3. D'Alva – #batequebate

 

      PLAY: D'Alva - Frescobol       

 

Fresco, fresquíssimo. Provavelmente não deverá ter havido disco que nos tenha acompanhado mais durante o Verão do que o longa-duração de estreia do projecto de Ben Monteiro e Alex D'Alva Teixeira, fazendo-nos despreocupadamente mexer os ombros e abanar as ancas a cada esquina. Recheado de óptimos refrões para serem cantados sem qualquer vergonha, foi Frescobol que se assumiu como o líder de partilhas pelas redes sociais fora — e com toda a justiça: muito mais do que a canção da estação, é uma das músicas do ano. Se os puderem apanhar em concerto, não hesitem.

 


 


4.  Dead Combo – A Bunch of Meninos

 

 PLAY: Dead Combo - Miudas e Motas

 

Mal damos por isso e a discografia do duo composto por Tó Trips e Pedro Gonçalves já celebrou dez aniversários. Em A Bunch of Meninos — o primeiro disco desde o famigerado episódio de No Reservations que lhes trouxe novos seguidores — encontramos não só o melhor título do ano, mas também a confirmação de que os Dead Combo sabem como ninguém domar aquelas cordas soturnas e sombrias. Mantêm-se fiel à fórmula que nos têm apresentado durante todos estes anos, e nem queríamos outra coisa: se não está danificada, para quê consertá-la?

 


 


5. Gala Drop – II

 

    PLAY: Gala Drop - Sun Gun     

 

Entre Broda de há dois anos e o recente II, os Gala Drop presenciaram algumas transformações na sua formação. Entre estas a mais significativa talvez seja a contribuição de JerrytheCat nas vozes, que se mostram mais presentes que anteriormente mas nunca demasiado forçadas sobre as melodias. E as melodias, essas, são donas e senhoras de um groove incontrolável, sustentadas por linhas de baixo de uma solidez imparável e sintetizadores siderais que nos fazem sentir como se o sol nos batesse bem forte na cara. É o encanto, o êxtase e a sedução em forma de disco, e a cada audição há novo ritmo para nos apaixonar.

 


 


6. Kilimanjaro - Hook

 

 

Não é todos os dias que o Anthony Fantano, a.k.a. o nerd musical mais ocupado da internet, escolhe destacar na sua página de facebook um certo power trio barcelense com uma especial adoração e devoção ao riff. Em boa hora e com toda a razão o fez: Hook, a estreia em disco destes rapazes, é uma impressionante bojarda titânica de rock cheio de pujança, com o pé bem fundo no acelerador e sem quaisquer hesitações. Se malhões como Shortie não vos fizerem sacar da vossa airguitar, considerem-se perdidos para o rock. 

 


 


7. la flag – Spargelzeit

 

        PLAY: la flag - Zenith          

 

Numa estreia em disco já há algum tempo por acontecer, spargelzeit demonstrou-nos em sete faixas apenas o post-rock precisamente como deve ser concretizado. Se à semelhança do supracitado Hook partilha de uma enorme estima e dedicação pelas guitarras, aqui os laflag optam por nos desenhar uma viagem instrumental mais imprevisível, repleta de óptimos momentos mas muito mais do que meros aglomerados de melodias interessantes. Uma autêntica joyride com o pôr-do-sol em plano de fundo. E trouxeram-nos também uma das capas do ano, sem espinhas.

 


 


8. Mão Morta – Pelo Meu Relógio São Horas de Matar

 

 PLAY: Mão Morta - Histórias da Cidade

 

"Como são tristes os tempos que correm", canta Adolfo Luxúria Canibal algures a meio do décimo primeiro disco de originais de uma das mais emblemáticas bandas portuguesas. Os Mão Morta nunca tiveram pudor em ser voz incómoda e desconcertante no panorama musical português, e não seria esta época do pós-troika que os faria abrandar. Se o vídeo de "Horas de Matar" até chamou a si honras de telejornal pelo seu conteúdo gráfico e contestatário, que isto não descure a enorme potência das canções que nos apresentaram em 2014 — ouça-se por exemplo a percussão impiedosa d'"Os Ossos de Marcelo Caetano" ou o retrato agonizante de "Hipótese do Suicídio". Nunca mudem, por favor.

 


 


9.  Sequin – Penelope

 

   PLAY: Sequin - Meth Monster   

 

2014 deve ter sido um ano verdadeiramente inesquecível para Ana Miró, já que nele assistiu a vários passos de gigante de Sequin, o seu projecto a solo. Se Beijing, sob a forma de demo, já nos tinha dado uma ideia do que estaria por chegar, o disco de estreia Penelope confirmou-nos isso mesmo: uma data de óptimas ideias traduzidas em canções pop adoráveis, construídas entre sintetizadores, batidas e restante parafernália electrónica e temperadas com bonitos refrões prontos a serem entoados uma e outra vez — como tivemos oportunidade de confirmar em vários festivais por esse Portugal fora. 

 


 


10. Sensible Soccers – 8

 

     PLAY: Shcuro - Black Acid      

 

Em 2013 chegou-nos Sofrendo por Você, uma das canções mais geniais desse ano e, mais do que isso, um argumento adicional sobre como os Sensible Soccers eram um caso sério. 8 chegou-nos no início deste ano e não poderíamos sentir-nos mais satisfeitos em saber que a confiança neles depositada é inteiramente merecida. Formidável em todos os aspectos, presenteou-nos com um jogo de teclados, guitarras e beats verdadeiramente mágico — ora estonteante, ora sedutor, mas sempre viciante e irresistível. Terminam, por exemplo, os nove minutos de AFG e só queremos que hajam outros nove. Querem maior elogio?

 

 

(CC) Foto de capa: Records1 por Dan Machold.
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