17:00 até às 20:00
Silêncio! Um laboratório sobre memória, sons impossíveis e as práticas e políticas da (não) escuta
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Este laboratório surge no âmbito de uma discussão em curso em torno das impossibilidades da memória, isto é, de uma interrogação especulativa que procura formular e mapear “vestígios” que ficam de fora das políticas (públicas e privadas) da memória e dos regimes de patrimonialização – seja por atos de censura e proibição, seja por abandono e esquecimento, ocultação ou descontextualização, etc.
No que diz respeito à música, não é difícil encontrar exemplos de músicas censuradas e proibidas a partir de argumentos de ordem política, ideológica e moral. No contexto da música popular contemporânea norte-americana, por exemplo, celebrizaram-se os processos judiciais entre o Parents Music Resource Center e Frank Zappa. No Reino Unido, os Sex Pistols foram objeto de censura pela BBC com o seu tema “God Save the Queen”. E por aí fora.
Estes exemplos, no entanto, constituem episódios públicos de ordem “escandalosa”, revelando conflitos ativos em torno da “censura” ou “limitação” do que é “escutável”. Mas também podemos pensar em processos mais implícitos e diferidos de “redução” ou “ocultação” acústica e harmónica. Por exemplo, a partir dos regimes patrimoniais da UNESCO e especificamente do reconhecimento global do património imaterial, de que forma é que os processos de “canonização” de regimes sonoros constituíram em si mesmos processos de “exclusão”? Portanto, interessa-nos aqui fazer um conjunto de movimentos especulativos de problematização:
- Explorar outros processos, mais difusos e ocultos, de silenciamento musical e sonoro. Por exemplo, a partir das infraestruturas de “divulgação”, as (im)possibilidades tecnológicas, as “doxas” e hierarquias estéticas, as harmonias ir/reconhecíveis, e os processos subjetivos e inter-subjetivos de formulação do “dizível” e o “cantável”. - Explorar processos de “recusa” a nível acústico e musical, considerando as agências dos atores perante a estrutura e infraestrutura musical.
- Expandir o debate multiplicando as perspetivas e atores – desde os autores e compositores aos públicos e comunidades de escuta. Portanto, analisando os múltiplos ângulos de debate, desde a autoria e composição à escuta e consumo.
- “Morte à música”: processos literais de extermínio musical, tanto do autor como do executante, a obra ou o escutante – de Victor Jara ao Bataclan.
- Incorporar uma dimensão para além do estritamente musical, refletindo em torno de acústicas mais abrangentes. Quais os limites de (in)aceitabilidade acústica que os rodeiam? Quais as ecologias e plataformas que constroem os limites do audível e do barulho/silêncio?
- Elaborar leituras destes processos em termos da produção de memória e património.
PROGRAMA
Tempo 1 (17h)
Faça-se o silêncio: intervenção introdutória
João Mineiro, Ruy Blanes
“Numa ‘câmara de silêncio’. Gravar a voz dos poetas no período final do Estado Novo” Rui Cidra
Alternative Prison entre hiper-escuta e não canonização: recusa, memória e patrimónios afetivos Guillermo de Llera Blanes
Silêncios e Segredos
Luís Trindade
Pausa
Tempo 2 (18h15)
Uma música “inaudível”
Júlia Durand
Silêncio e Ficção
Catarina Laranjeiro
Escutar as imagens
Marta Machado
Debate público.
Outros Silêncios: Roda de escuta improvisada (19h15)
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