19:00 até às 23:30
Aquelas mulheres que podem destruir o infinito
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Neste novo conjunto de obras — apresentado publicamente pela primeira vez — Benedita Santos continua a sua exploração do retrato feminino através da lente da abjeção, da intimidade e da estética do renascimento medieval. Inspirando-se no texto seminal de Julia Kristeva, “Poderes do Horror: Um Ensaio sobre a Abjeção”, particularmente no capítulo que dá tem à exposição "Aquelas Mulheres Que Podem Arruinar o Infinito", reflete sobre as mulheres como figuras historicamente posicionadas na fronteira entre a fascinação e o medo, o desejo e a desordem.
A análise de Kristeva do feminino como força desestabilizadora ressoa por toda a pintura de Benedita Santos: mulheres que dissolvem fronteiras, desafiam sistemas de controlo e habitam espaços entre a santidade e a transgressão. Ecos de Lady Macbeth, iconografia medieval, imagens devocionais e beleza grotesca emergem por todas as obras, onde afecto e desconforto coexistem.
Para além desta estrutura teórica, a exposição guia-se também pela paisagem emocional do poema Wild Geese, de Mary Oliver — uma meditação sobre a pertença, o instinto e o direito a existir para além da culpa ou das expectativas sociais. Entre a escuridão e a libertação, a artista constrói retratos que rejeitam a idealização e, em vez disso, abraçam a vulnerabilidade, a corporalidade e a transformação.
In this new body of work — presented publicly for the first time — Benedita Santos continues her exploration of female portraiture through the lens of abjection, intimacy, and medieval revival aesthetics. Drawing from Julia Kristeva’s seminal text Powers of Horror: An Essay on Abjection, particularly the chapter “Those Females Who Can Wreck the Infinite,” the exhibition reflects on women as figures historically positioned at the threshold between fascination and fear, desire and disorder.
Kristeva’s analysis of the feminine as a destabilizing force resonates throughout Santos’ paintings: women who dissolve boundaries, challenge systems of control, and inhabit spaces between sanctity and transgression. Echoes of Lady Macbeth, medieval iconography, devotional imagery, and grotesque beauty emerge across the works, where tenderness and unease coexist.
Alongside this theoretical framework, the exhibition is also guided by the emotional landscape of Mary Oliver’s poem Wild Geese — a meditation on belonging, instinct, and the right to exist beyond guilt or social expectation. Between darkness and release, Santos constructs portraits that reject idealization and instead embrace vulnerability, corporeality, and transformation.
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