Teatro Municipal de Vila do Conde
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Fundado em 2019, o Coreia é uma publicação de carácter experimental,
crítico e discursivo dedicada às artes em geral, mantendo com a dança
uma relação estruturante. De periodicidade semestral, o jornal afirma-se
como um fórum independente e internacionalista, centrado no discurso
produzido pelas obras e pelos artistas. Nesse âmbito, privilegia a
divulgação, em língua portuguesa, acolhendo formatos diversos que
atravessam a partitura, o ensaio, a entrevista ou o manifesto.
No Coreia #14, a edição estrutura-se a partir de um conjunto de
encontros, deslocações e experiências que cruzam corpo, memória e
narrativa. Ricardo Valentim marca um ponto de partida — chegar tarde e
sair cedo — enquanto, com Carlo Canún, no Cine Savoy, se evidencia um
encontro de corpos que se convertem em texto e constroem as suas
próprias histórias. Evoca-se o movimento coreográfico inconsciente e o
voo quotidiano dos pássaros através da obra de Odile Duboc.
Com Xueying Peng, um gesto de cooperação inaugura a performance e
transforma o espaço em imaginação partilhada; o espaço surge, assim,
como consequência da ação. Por sua vez, Sarah Lewis reflete sobre um
encontro diferido, confrontando o poder amargo da memória.
A edição convoca ainda as ferramentas críticas da CATPC e da Human
Activities, desafiando a reconsideração de origens, responsabilidades e
futuros. A aprendizagem da queda associa-se à confiança no chão,
enquanto Catarina Câmara afirma o corpo e o movimento como instrumentos
de relação com o mundo. Sepideh Khodarahmi explora a experiência do
excesso; Itziar Okariz investiga o conhecimento através da respiração;
Marine Chesnais experimenta os limites da apneia.
O corpo surge igualmente como arquivo de gestos, através de Marta Lopes
Santos, e como construção narrativa situada entre o real e o imaginado,
na proposta de Raphael Daibert. Sina Saberi convoca a memória do corpo
enquanto referência do lugar. Entre dor e possibilidade, afirma-se a
dança como prática de transformação coletiva, fundada no movimento
conjunto e na persistência do gesto.
O lançamento desta edição é acompanhado pela performance The Erotic Clown, de Sepideh Khodarahmi, em colaboração com Cracked Bolos.
+ info https://coreia.pt/
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