Oficina Vivencial de Cacau – Uma viagem de um dia completo
Origem · Medicina · Cerimónia
Este encontro é uma imersão no cacau como planta sagrada originária da Alta Amazónia, não como produto, mas como ser vivo, medicina e memória ancestral. Ao longo do dia, caminhamos desde a sua origem territorial, passamos pela sua dimensão medicinal ancestral e contemporânea, e encerramos com a sua expressão ritual e espiritual, culminando numa cerimónia de cacau andino-amazónica.
Não será para acumular informação, mas sim recordar, sentir, experimentar.
PRIMEIRO MOMENTO – MANHÃ
A origem do cacau na Alta Amazónia
Raiz, território e memória viva
O cacau nasce na Alta Amazónia sul-americana. Não nasce como bebida cerimonial moderna; nasce como planta de relação, de intercâmbio, de vida comunitária e espiritual. Este primeiro momento abre o dia conectando-nos com essa raiz profunda.
Conteúdos abordados
A Alta Amazónia como berço do cacau.
O cacau nas culturas originárias: alimento, medicina e vínculo.
O cacau antes da colonização: território, ritualidade quotidiana e cosmovisão.
O cacau como planta que ensina a partir do tempo longo.
Actividades vivenciais
1. Abertura sensível do dia
Círculo de boas-vindas. Respiração suave. Cada pessoa recebe uma semente de cacau na mão. Convida-se a observá-la, tocá-la, cheirá-la. Não se explica em demasia. O corpo entra primeiro.
2. Mapa vivo da origem
Actividade lúdica e participativa:
Constrói-se no chão um “mapa simbólico” da Alta Amazónia com tecidos, sementes, folhas e pedras. As pessoas vão colocando o cacau dentro do território, enquanto se narra a sua história. Aprendizagem corporal, não abstracta.
3. Relato guiado
Narração oral da origem do cacau na Alta Amazónia, contada como história viva, não como aula. Espaço para perguntas sentidas, não académicas.
4. Encerramento da manhã
Pequeno gesto ritual: cada pessoa deposita a sua semente no centro, como sinal de escuta e respeito pela origem.
SEGUNDO MOMENTO – TARDE
O cacau como medicina
Ancestral e contemporânea
O cacau é medicina quando há vínculo. Aqui explora-se como o cacau actua no corpo, no coração e na consciência, integrando saberes ancestrais e perspectivas contemporâneas, sem contradição.
Conteúdos abordados
O cacau como alimento-medicina nas culturas amazónicas.
Componentes do cacau e a sua relação com o sistema nervoso, o coração e as emoções.
O cacau como regulador emocional e energético.
Diferença entre consumo, uso consciente e uso cerimonial.
Actividades vivenciais
1. Preparação consciente do cacau
Actividade central
Mostra-se e pratica-se a preparação do cacau de forma respeitosa: moagem, aquecimento, intenção. As pessoas participam, tocam, cheiram, escutam.
2. Degustação atenta
Prova-se o cacau em pequenas quantidades, guiando a atenção para o corpo: temperatura, sabor, efeito interno. Ensina-se a escutar o corpo, não a procurar sensações forçadas.
3. Trabalho corporal suave
Movimento lento, respiração, abertura do peito. Nada exagerado. O cacau começa a mover-se a partir do corpo.
4. Roda de palavra
Espaço breve para partilhar o que cada pessoa percebe. Não se analisa. Escuta-se.
TERCEIRO MOMENTO – ENCERRAMENTO
Dimensão cerimonial, ritual e espiritual
A cerimónia de cacau
Aqui o cacau deixa de ser conteúdo e torna-se experiência espiritual viva. Não é espectáculo, nem exotismo. É uma cerimónia simples, profunda e cuidada.
Actividades
1. Preparação do espaço cerimonial
O grupo prepara o espaço: altar simples, elementos naturais, silêncio. A cerimónia começa antes de beber.
2. Intenção e palavra
Guia-se uma reflexão clara sobre para que se bebe cacau. Cada pessoa conecta-se com a sua intenção a partir do coração.
3. Cerimónia de cacau
Ingestão consciente do cacau cerimonial.
Música suave, canto ou som simples. Espaço de introspecção, ligação e abertura do coração.
4. Integração e encerramento
Roda final. Agradecimento ao cacau, ao território de origem e ao grupo. O dia encerra-se com clareza e cuidado, sem deixar ninguém “em aberto”.
Sentido da oficina
Esta não é apenas mais uma oficina sobre cacau.
É um regresso à origem, uma reconciliação com a planta e uma experiência transformadora de um dia completo, pensada para aprender, sentir e recordar a partir do corpo e do coração.
Duração da oficina
Este encontro está pensado como uma jornada completa de imersão no cacau, com uma duração aproximada de 7 a 8 horas, incluindo pausas, momentos de descanso e espaços de integração.
O ritmo do dia é orgânico e cuidado, alternando momentos de escuta, experiência corporal, preparação consciente, diálogo e cerimónia. Não se trabalha a partir de um horário rígido, mas sim de um fluxo natural, respeitando os tempos do grupo, do cacau e do processo que se vai abrindo ao longo da jornada.
É um dia para parar, aprofundar e viver o cacau a partir da sua origem amazónica, da sua dimensão medicinal e da sua expressão cerimonial e espiritual, sem pressa e com presença.
Sobre o facilitador
Alejandro Cerda vem diretamente do Chile e desenvolve há vários anos trabalho de investigação e acompanhamento em práticas culturais ligadas ao cacau nos territórios andinos e amazónicos.
Com formação em antropologia e experiência em trabalho de campo com comunidades locais, dedica-se à partilha de práticas de preparação, escuta e encontro coletivo inspiradas nesses contextos culturais, adaptadas ao público europeu.
A sua abordagem é simples e acessível: não pretende ensinar uma crença nem realizar terapia, mas criar um espaço seguro de experiência, atenção e convivência em grupo através do cacau. A sua vinda a Portugal integra uma série limitada de encontros presenciais durante a sua passagem pela Europa.
Valor| 70€ (s/iva)
Local | Eco Retiro de Galamares, Sintra
Inscrições | info@ecolife-experience.com // 968 694 146