"Tanta gente, donde vinha?" Eduarda Dionísio
Não temos a certeza de tudo já ter sido dito e escrito sobre o processo revolucionário de 1974-75 em Portugal.
Momento ímpar na história mundial, esta torrente de ações cívicas, de formas de organização política de base, de reivindicações de toda a ordem, por parte de uma população com fraca literacia, despolitizada até pouco tempo antes, a sair de 48 anos de ditadura, não deixa de nos espantar - a nós, que nascemos durante ou depois, que não temos memória direta de o ter vivido.
Estamos a perguntar sobre isto a quem o viveu desde há 15 anos, pelo menos, quando iniciámos o nosso trabalho documental sobre a memória política do século XX português.
E temos muitas histórias para contar.
Também tropeçámos num conjunto de obras literárias (e esquecidas) sobre isto - porque muito do que rodeia este processo é uma névoa de esquecimento e apagamento, apesar da prolífera produção artística da época e dos anos que se seguiram, em que a revolução e o processo eram protagonistas.
Este era o projeto que ainda queríamos fazer sobre isto.
No silêncio dos 50 anos do processo revolucionário português.
Um espetáculo mais poético do que documental, mais evocativo do que informativo, e em que a memória surge estendida sobre uma mesa de operações, pronta a ser dissecada, mas conseguiremos?
"Ninguém nos inventa."
Olga Gonçalves
Esta não é mais uma criação sobre a revolução.
Este é o nosso anti-documentário,
a nossa deriva poética
a nossa autópsia
a nossa elegia.
Joana Craveiro, Teatro do Vestido
Ficha Técnica e Artística
Texto, Direção, Interpretação: Joana Craveiro
Cocriação e Interpretação: Estêvão Antunes, Diana Ramalho, Inês Minor, Tânia Guerreiro, Tozé Cunha
Música e Espaço Sonoro: Francisco Madureira
Cenografia: Carla Martínez
Figurinos: Tânia Guerreiro
Imagem e Realização: João Paulo Serafim, José Torrado
Desenho de Luz: Leocádia Silva
Engenharia e Operação de Som: Bernardo Afonso
Operação de Vídeo: José Torrado
Assistência à Direção Artística e ao Movimento: Teresa Cunha
Comunicação e Assistência de Produção: Maria Inês Augusto
Direcção de Produção: Alaíde Costa
Coprodução: Teatro Académico de Gil Vicente, Teatro do Vestido, Cineteatro Louletano, Fitei - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, Galeria Zé dos Bois
Apoio: Arquivo Municipal de Montemor-o-Novo, FX RoadLights, O Espaço do Tempo
Apoio Científico: Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa (IHC/NOVA), projecto "Memória e Revolução", coordenação de Luís Trindade
O Teatro do Vestido tem o apoio de República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes.
Informações Adicionais
Este espetáculo tem 2 sessões abertas ao público:
19 e 20 de março (quinta e sexta-feira): 21h00
Também há 1 sessão para a comunidade escolar, no dia 19 de março, às 14h30.