Em tempos de avanço do cimento e queda de árvores centenárias, mais do que ocupar espaços, estes artistas propõem novas formas de habitá-los, evocando a urgência de pisarmos mais levemente na Terra.
Seguindo a proposta desenvolvida na última edição do Festival de apoio à criação local de performances site-specific, este ano Linha de Fuga lançou o desafio a curadores locais para pensar a cidade com criações de artistas locais. A proposta selecionada foi o projeto Amizades, Um Mundo Extra Muros, uma curadoria da luso-brasileira residente em Coimbra, Marinah Raposo.
Amizades, um Mundo Extra Muros apresenta performances ressonantes da fragilidade ecológica contemporânea e da memória viva conimbricense. Tendo como ponto de partida a amizade da coabitação, o projeto curatorial ocupa espaços não convencionais. Idealizado por Marinah Raposo, arquiteta e curadora (luso-brasileira, 1990), o projeto reúne artistas sul-americanos residentes — Adrián Montenegro (Colômbia, 1986), Jorge Cabrera (Venezuela, 1964) e Malu Patury (Brasil, 1996) — propondo uma escuta ativa do território e reconhecendo o corpo como extensão sensível da paisagem.
Em tempos de avanço do cimento e queda de árvores centenárias, mais do que ocupar espaços, os artistas propõem novas formas de habitá-los, evocando a urgência de pisarmos mais levemente na Terra. Busca-se reanimar as veias silenciosas da cidade por meio de um circuito a ser percorrido. O espectador é convidado a uma deriva não convencional, guiado por um mapa que o conduz por novas ecologias de convivência.
As criações integradas nesta curadoria são:
5 Palíndromos - Socos, Asa, Ovo, Radar e Reviver (Gesto poético-musical)
Adrián Montenegro (Colômbia/Portugal)
15min
Motivado pela noção de que cantar é um ato performático-poético ligado ao tempo presente, onde a palavra é musicalizada ao ser dita, o artista propõe cantar a partir de uma posição e relação com objetos simbólicos, onde o aparecer em cena é cerimonial, ritualístico, manifestante e lúdico.No Claustro Há uma Montanha + Duas Fontes, uma água (Ação site-specific)
Jorge Cabrera (Venezuela/Portugal)
20min
Duas performances que se adaptam ao contexto onde são apresentadas.
Na primeira, o Claustro do Convento pode levar-nos a questionamentos sobre o que pode estar oculto sob a laje de concreto do chão e como a montanha que se pretende levantar com esta performance, pode conectar-nos à ideia de paisagem no lugar.
Na segunda, situada na baixa de Coimbra, num mundo que se nos apresenta confuso pela desconstrução da convivência pacífica entre seres diferentes, apaixona pensar que a mistura das águas de duas fontes, pode trazer o frescor da esperança e da poética de união entre origens, culturas e experiências veiculadas pelas águas.Um Mundo É Um Corpo, Um Corpo É Um Encontro, Um Encontro É Um Mundo (Dança coletiva)
Malu Patury (Brasil/Portugal)
20min
Nesta performance-participativa, a artista-facilitadora convida o público a corporificar uma cartografia viva, através de propostas simples de interação, contato e composição de paisagens com o corpo
* Para as sessões no Convento São Francisco, é possível, a partir do dia 15 de outubro levantar o bilhete gratuito na Bilheteira do Convento São Francisco, diariamente, entre as 15h00 e as 20h00. Será permitido o levantamento de 2 bilhetes, por pessoa, mediante a lotação definida para o evento. Não são aceites reservas.Datas
9 de Nov às 11h, 15h, e 16h30
29 de Nov às 11h e 16hPreço: Gratuito
Para as sessões na Baixa de Coimbra, não há reservas, basta aparecer
Projeto selecionado no âmbito da open call de curadoria local, desenvolvido com a parceria do Convento São Francisco e do Teatro Académico de Gil Vicente