22 Jun / 16:00
Teatro Carlos Alberto
Para Esta hora de espanto, escreve Tiago Mesquita Carvalho: “Passa caudaloso o rio da história e nele todos mergulham para chegarem lá onde ele leva. O velho mundo ainda se encharca dos últimos raios do poente e embora as palavras cantem, a ruína cresce, a noite avança.” Esta peça em tom de coreodrama, retoma o corpo como e na paisagem, algo que percorre muito do meu trabalho, para convocar imagens limite e radicais sobre um futuro previsível de catástrofe. É, também, a paisagem no limite da sua transformação que nos interessa, em particular, no radical das catástrofes e do apocalítico. Em Lastro (2015), sob um céu estranho, os corpos iam ocupando um lugar gerando a sua rotina e as suas ligações. Nessa peça coreográfica, os movimentos dos corpos juntamente com o dispositivo cénico, criavam o lugar teatral: um lugar em mudança, um lugar que é feito de memória. Em Esta hora de espanto algumas destas noções voltam a ser materializadas através do corpo e do texto, uma ficção escrita por Tiago Mesquita Carvalho. A partir das imagens das catástrofes, retomam-se as questões do corpo e dos seus limites, da figuração e desfiguração na dança. O medo, uma vã compreensão das coisas, a imprevisibilidade, a radicalidade das catástrofes, pairam neste conto onde os personagens se vão revelando e destruindo.
Coreografia e direção Né Barros Música Carlos Guedes Texto Tiago Mesquita Carvalho Desenho de luz Nuno Meira Figurinos Joana Africano Interpretação Afonso Cunha, Deeogo Oliveira, Beatriz Valentim, Joana Africano, Marta Silva, Rafael Ferreira, Vivien Ingrams Produção Celine Marie Co-produção TNSJ/TECA e Balleteatro Balleteatro – estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes
Fonte: https://www.balleteatro.pt/agenda/evento/Esta-hora-de-espanto-Ne-Barros/