Tubolagem é uma palavra que não figura nos principais dicionários da língua portuguesa. Palavra virgem, não fabricada, alude foneticamente ao nome feminino tubagem e etimologicamente a tubo acrescido do sufixo agem. Sugere sistema ou conduta orientadora de fluídos por meio de tubos, mas, também, a ideia de durabilidade e resistência, de estrutura e do suporte, conceitos a partir dos quais deriva muito da obra de Maria José Oliveira. Maria José Oliveira é uma jovem artista com um corpus de trabalho em permanente experimentação e performatividade. Com a capacidade de ativar emoções a partir de objetos simples, num toque de Midas, Maria José fá-lo, emprestando o seu corpo às obras, a coluna, os braços, o bater do coração, vestindo-as, respirando-as, tocando-lhes, concedendo-lhes alma e sensibilidade num silêncio transformador. Tubolagem reúne obras diferentes umas das outras, realizadas nas últimas três décadas, juntas pelo valor que cada uma representa. É uma exposição memória, a da artista e da feitura destas peças, mas igualmente prospetiva na perseverança de uma linha de trabalho e de um modo de olhar a vida. As peças aludem a histórias, que normalmente não conta e que na accrochage são poeticamente engendradas. (...) Texto de Adelaide Duarte Terça a sábado, das 11h às 19h00 Patente até dia 11 de Janeiro, 2025