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Inauguração da exposição virtual 'Desvelo' de Gonçalo Lobo Pinheiro

Inauguração da exposição virtual "Desvelo" de Gonçalo Lobo Pinheiro

"Desvelo" de Gonçalo Lobo Pinheiro apresenta-se pela primeira vez no Mno dia 30 de abril às 21h30 no canal de YouTube da Galeria: 
https://youtu.be/QULnJ6NAWhw 
O autor apresentou o livro, com o mesmo título, na Livraria Portuguesa, em Macau no dia 29

DESVELO

Covid-19. A vida nos lares de idosos vai muito além da pandemia 
Num ano totalmente atípico, tornou-se um enorme desafio fotografar. Criar histórias numa cidade pequena, onde - e felizmente - ocorreram poucos casos de Covid-19.
Contudo, havia que retratar o problema em Macau e apostei em fazer histórias diversas ligadas ao quotidiano das pessoas, depois do confinamento voluntário a que fomos sujeitos em Fevereiro e Março.
As histórias que aqui vão poder ver falam de pessoas, de idosos e dos seus cuidadores.Os idosos são um dos grupos de risco da pandemia que assola o mundo e para a qual só agora começam a surgir esperanças para o seu combate efetivo.

Gonçalo Lobo Pinheiro


PELO NOSSO DESVELO

Convivemos com uma situação excecional há mais de um ano, há mais de um ano que tentamos todos os dias lidar com uma vida extraordinária em que estamos a aprender a estar e a ser. Inquietos, tentamos gerir a incerteza e a imprevisibilidade. Esta pandemia trouxe-nos a consciência física e mental de que somos todos humanos, vulneráveis, sujeitos à imprevisibilidade, a conviver com a fragilidade da nossa condição. Mas há uma franja da humanidade, os velhos, a quem a pandemia mais roubou tornando-os omissos. De entre os frágeis, os idosos institucionalizados em lares são os que mais sofrem e, que por isso, nos tocam mais de perto.
A realidade que Gonçalo Lobo Pinheiro nos traz é a realidade do outro lado do mundo em tempo de Covid: fotografias de utentes e cuidadores do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Macau e do Asilo de Santa Maria da Caritas do mesmo território.
São os velhos que habitam as fotografias deste projeto que nos contam os dias. Os formatos dos rostos e dos olhos podem ser diferentes mas reconhecemos o olhar que nos atravessa e interroga. Há uma tristeza letárgica, um certo alheamento de si: as mãos e os pés pendentes sinalizam o abandono do corpo como que descolados, deslocados do seu lugar e da sua função. Uma surpresa inesperada visitou o último apeadeiro da vida que se queria afetuoso e manso. Nos olhares domina a desesperança que é um desespero sem força, sem alento, uma resignação porque não há tempo para adiamentos, não há projeção para futuros. É uma morte por antecipação.
O título da exposição – Desvelo - aparece como uma constatação dos cuidados que são providenciados pelos cuidadores e profissionais de saúde. A mediação da máscara omite os sorrisos, as luvas de borracha omitem o toque de pele, restam os gestos e a palavra muito dominados pela necessidade de segurança. Mas o título diz mais no contexto desta exposição: é uma chamada de atenção para os mais frágeis, para os que não têm futuro. É um apelo ao nosso carinho, ao nosso cuidado, ao nosso amor.
Estejamos nós à altura de lhe responder.

Manuela Matos Monteiro


Nota biográfica

Gonçalo Lobo Pinheiro (Lisboa, Portugal, 4 de Abril de 1979) é um fotojornalista português que vive em Macau há pouco mais de 10 anos.
Licenciado em Ciências da Comunicação, variante do Jornalismo, na Universidade Autónoma de Lisboa. Vai iniciar este ano o seu mestrado em Nova Fotografia Documental na Escola de Artes e Design de Barcelona.
Começou a trabalhar na área em 2000 e, dois anos depois, iniciou o estágio profissional na extinta agência de notícias Intermeios. Durante seis anos, fez parte da equipa de fotojornalistas do jornal A Bola. Posteriormente, colaborou com várias publicações portuguesas e estrangeiras. Entre 2004 e 2010 foi, em Portugal, o fotógrafo oficial da cantora brasileira Daniela Mercury. Vencedor de vários prémios ao longo da carreira, Gonçalo Lobo Pinheiro teve também várias exposições, em nome próprio e coletivas. O livro “Macau 5.0 | 澳門 5.0 | Macao 5.0”, publicado em 2015, é o seu primeiro livro de fotografia. Em 2019, apresenta “Myanmar: o retrato de um povo”. Em Macau, ingressou no jornal Hoje Macau, onde trabalhou como redator, editor e fotojornalista entre 2010 e 2014. É o coordenador de fotografia da revista Macau, versão em português desde 2014. Entre Maio de 2018 e Dezembro de 2020 foi jornalista multimédia e editor do projeto Plataforma Media do grupo Global Media. Entrou, recentemente, nos quadros do jornal Ponto Final onde é fotojornalista e jornalista.
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