Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão
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Circo contemporâneo
Coprodução Instituto Nacional de Artes do Circo / Casa das Artes de FamalicãoApresentação do primeiro trabalho profissional dos Alunos Finalistas do Instituto Nacional de Artes do Circo
1 a 4 de Julho | quarta-feira a sábado | 21h30 | Grande Auditório
Artes do Circo/ Circo contemporâneoEntrada: 4 euros; 2 euros para descontos em vigor
1 de Julho, Quarta-feira
Laleshka Unzueta I Trick or Feet
No meio da rotina, uma piscina insuflável transforma-se em palco para situações cada vez mais caóticas. Entre malabarismos com bolas e pés que desafiam o espaço, ocorrem situações absurdas que roçam o surreal. Assim, o quotidiano torna-se um espetáculo imprevisível onde tudo pode acontecer.
Damien Blondeau I "prise de tête"
E se pudéssemos materializar essa conexão que temos com algo que não podemos ver, mas que nos incita a mover, a construir, e também a destruir? Aqui temos o nosso personagem preso nesse dilema; a presença está aqui e a sua vontade precisa de ser ouvida. Então, o que fazer agora? Preservar a individualidade ou fundir-se a este mecanismo para construir algo maior do que nós? Como lidar, então, com a imprevisibilidade deste objecto vivo que são os straps? Ao mesmo tempo que restringem o corpo, os straps também conferem uma certa liberdade; nesta obra de circo contemporâneo, eles representam fisicamente à vontade e como esta pode ser influenciada pelo ambiente. A nossa personagem terá de embarcar numa viagem, intencionalmente ou não, passando por estados emocionais contraditórios. Terá de enfrentar a inocência, a curiosidade, a solidão, mas também a paranóia e a ilusão, para ir a algum lado, ou não.Quem sabe?
Imperio I Calle calvario
Calle calvario é um projeto cênico de circo contemporâneo que investiga a herança transmitida de mãe para filha. A criação desenvolve-se na tensão entre o desejo de afirmação individual e a saudade da mãe, entre a procura de autonomia e a necessidade de cuidado. Através do equilíbrio sobre as mãos, do trabalho sonoro, da construção imagética e do movimento, a obra constrói um vocabulário cénico íntimo e físico, onde o corpo se torna território de memória, ausência e permanência.
2 de Julho – Quinta-feira
Nora Jeanneret I Glitch corporality
Existe um mundo à parte, um pouco semelhante ao nosso, mas não se sabe ao certo o que é igual e o que é diferente. Há momentos em que vislumbramos esse mundo; parece existir de forma interdependente, mas ao mesmo tempo distante, das intervenções mundanas. Glitch corporality é uma peça a solo de circo contemporâneo, onde a técnica do straps é a base de todo este complexo diálogo entre si e este universo transcendental.
Vik Cispul I Cempasúchil
Cempasúchil é uma peça a solo de circo contemporâneo que se propõe refletir sobre a relação que mantemos com aqueles que já não estão entre nós, e sobre a forma como os objetos preservam e evocam a sua memória. Recorrendo às técnicas de tecido acrobático e à manipulação de objetos, a peça constrói uma singela homenagem à tradição mexicana do Dia dos Mortos.
Inês Beirão I Garagem
“Numa sociedade onde tudo é rapidamente descartado, aqui acredita-se que o lixo pode virar arte. Esta peça a solo é uma fusão entre a música e o circo contemporâneo, onde a técnica da roda cyr junta-se com objetos que nunca imaginaste.”
Martín Ignacio I Raíces en Espiral
Raíces en Espiral é uma peça de circo contemporâneo que explora como podemos quebrar a verticalidade à qual os nossos corpos estão normalmente sujeitos. Através da torção corporal, a obra investiga novas formas de comunicar e de expressar, criando um ponto de partida diferente, onde a respiração é trabalhada e utilizada como motor de movimento para a torção. A peça utiliza a técnica de mastro chinês como vocabulário principal. A partir da sua verticalidade, constrói-se uma analogia entre a árvore e o mastro, explorando a relação entre raiz, corpo e altura. Raíces en Espiral propõe um ponto de partida diferente para o movimento e é, ao mesmo tempo, um convite a confiar nas nossas próprias normas.
3 de Julho – Sexta-feira
Andrés Cavalier I A decisão…um propósito
Numa paisagem nebulosa, suspensa entre a realidade e a metáfora, um indivíduo avança por um caminho incerto. Nesta viagem de descoberta, o corpo torna-se território de luta e transformação.
Através da linguagem do circo e da dança — entre acrobacias e marcha na corda lisa aérea, pinos, uma escada e sequências coreográficas com movimentos experimentais; o intérprete percorre diferentes estados emocionais que refletem a complexidade da saúde mental e das inquietações internas. A cena constrói-se como um passeio íntimo onde a fragilidade e a força coexistem, convidando o público a reconhecer-se nesse constante vaivém.
Nice Rocha I Nothing to Declare
Um circo quase clandestino, uma arte que não necessita de documentos, um equilíbrio que sobrevive sem aplausos. Aqui, ergue-se uma parede: uma pele externa que se interpõe entre o olho e a retina, privando este corpo da possibilidade de alcançar o algo mais. Chamam-lhe fronteiras; como se fosse geografia. Mas a fronteira não é um lugar é um mecanismo.
É um gesto invisível que decide quem avança e quem espera.
Quem existe e quem se justifica. Com o circo contemporâneo, exibimos, ironizamos e desmontamos com o corpo, este território curvo e desequilibrado, que oscila entre o absurdo e a realidade. Por meio da Roda Cry, como objeto base da expressão artística, ficamos entregues a perguntas e pensamentos.
Katelyn Aomi Ewe I Ascending To Heaven
Sozinha na escuridão e no silêncio, ela não vê nem ouve. Tudo o que sente é o ritmo do seu coração e o fluxo da sua respiração. Ainda não conhece o mundo — ainda não consegue enxergá-lo. Enquanto sobe pelos tecidos aéreos de azul profundo, pequenos reflexos de luz começam a surgir. A cada subida, nascem lampejos de esperança; até que a luz a envolve completamente, transformando-a em brilho e luminosidade. De repente, ela torna-se a própria luz — transcendida. Torna-se dinâmica, poderosa e veloz, cintilando intensamente no espaço. Trata-se de uma peça de circo onde a acrobacia aérea é o instrumento deste virtuosismo e metamorfose.
Ariane Medeiros I Trocadilho
Uma mulher adentra o espaço vestida com um casaco negro, levando nas suas costas um saco e flores mortas nas mãos. Ela, que pode ser muitas, vai em direção ao saco, este com muitas alternativas e relíquias. O que poderia ser lixo se torna tesouro, o equilíbrio sobre as mãos, um respiro, e ela... Ela é a infinidade da sua imaginação! Trocadilho é uma peça de circo contemporâneo com muitas possibilidades, um espaço onde a loucura se torna uma narrativa lúcida com muitos significados através de uma personagem que navega entre diferentes personas nos desequilíbrios da vida, do planeta, do mundo.
4 de Julho – sábado
Origami Drag I Origami
Surge num ambiente escuro de forma misteriosa, como um ponto de luz nas sombras. A tensão permanece e cresce cada vez mais enquanto este se aproxima, até revelar a sua identidade por completo. Ver Origami, a Drag Queen, é finalmente um suspiro, depois de suster a respiração por tanto tempo. Tem um olhar de predador, magnético, que hipnotiza, rasgando o silêncio. A cada passo, destemida, de forma sedutora, poderosa, é irresistível. Contorce-se com botas reluzentes, sobre o carvão espalhado na passarela. O papel é a base da sua criatividade, reflexo dos seus desejos e pensamentos mais profundos. Uma extensão e espelho de si mesma, que se dobra em qualquer forma sem esforço, embora tenha limites e fragilidades. Origami é uma peça a solo de circo contemporâneo que tem como base a técnica e contorção, a dança e as artes plásticas e visuais.
Zoé Gerard I Open Doors
Esta obra encena uma mulher que gosta de controlar tudo; é um pouco ingénua e bastante desajeitada. Mergulhamos com ela numa busca de identidade, um percurso muito pessoal inspirado nos questionamentos da própria intérprete-criadora. Quem sou eu? Já me permiti ser assim, mostrar-me desta forma? E porque me proibi, durante tanto tempo, de me ouvir e de me olhar? Aqui, a roda Cyr — um aparelho de circo contemporâneo — está inteiramente ao serviço do propósito, assumindo a forma de um antagonista, de um obstáculo físico e psicológico. Será que ela encontrará uma solução e conseguirá manter-se fiel a si mesma nesse duelo, ou ficará prisioneira dele?
Amra I Once upon a time, I found a mannequin
A peça de circo contemporâneo “Era uma vez, encontrei um manequim” é o resultado de uma exploração sobre como combinar um manequim, equilíbrios de mãos e o Bharatanatyam (uma dança clássica indiana) numa narrativa coerente. Ao longo da peça, a artista explora a sua relação com uma manequim chamada Marianna, comunicando e interagindo com ela através de equilíbrios de mãos, dos elementos narrativos do Bharatanatyam e de técnicas inspiradas no mão-a-mão. A peça propõe a investigação de formas de conjugar os elementos mais puros do Bharatanatyam com os equilíbrios de mãos, bem como maneiras de integrar outros aspetos desta forma de dança, como a música e o figurino.
Kim Barrios Garcia, Laura Favaro, Wilfred Moondance River Campbell I "BACK TO BOARD"
Peça de circo contemporâneo de três intérpretes que combina báscula coreana, acrobacia coletiva, dança e teatro físico.
Partindo da intensa proximidade criada pelo cotidiano do treino de circo, a obra explora as relações que surgem entre estes indivíduos que têm de confiar fisicamente uns nos outros todos os dias. Colocada no centro do palco, a báscula torna-se simultaneamente aparelho e metáfora — uma plataforma onde a propulsão, o desequilíbrio e o ajuste modelam continuamente a dinâmica do grupo. A rotina repete-se, mas nunca da mesma forma. Surgem desvios: gestos, decisões, pequenas rupturas em que o quotidiano se abre ao inesperado. O que acontece quando a tua liberdade depende inteiramente do tempo de outra pessoa?
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