Coruchéus – Um Teatro em Cada Bairro
Complexo Municipal dos Coruchéus - Rua Alberto de Oliveira - Lisboa Ver website
Orlando Franco é um artista visual sediado em Lisboa. A sua prática cruza
vídeo, fotografia, instalação e desenho, explorando as múltiplas possibilidades
da imagem, muitas vezes em diálogo com o imaginário cinematográfico. O seu
trabalho investiga conceitos como tensão, esforço e suspensão, erro e falha,
peso e leveza, realização e frustração. Expõe com regularidade desde o início dos
anos 2000, em contextos institucionais e independentes. Paralelamente à sua
prática artística, desenvolve atividade como curador independente e professor
universitário.
A palavra que serve de título para esta exposição não fixa um sentido, desloca-se
entre línguas e usos, oscilando entre o gesto, o som e a máquina. Nesse intervalo
instável, instala-se um conjunto de obras que orbitam o imaginário do cinema,
enquanto experiência sensorial e psíquica, mas, sobretudo, como espaço de
construção da alteridade.
O projeto inicia-se com uma instalação de vídeo, onde a imagem de olhos
humanos é sujeita a um gesto invasivo. A visão torna-se matéria, resistência
e limite físico. A partir daí, a exposição desenvolve-se como uma sequência de
imagens-clarão de natureza traumática, onde o olhar se desprende do corpo
e passa a habitar dispositivos, superfícies e distâncias.
Entre a memória do cinema como espaço de alteridade, onde o drama, o medo e
o suspense encontram forma, e a brutalidade do real, dran aproxima-se da lógica
do drone: ver de cima, à distância, com precisão e frieza calculada. No entanto,
esse olhar, que se apresenta como absoluto, revela-se instável, atravessado por
ruído, contaminado pelo sonho e interrompido quando se tenta fixar.
A exposição é acompanhada por um texto que a atravessa. Uma escrita
fragmentária onde sonho, ruído e deslocamento constroem um campo paralelo
à experiência visual.
Na dualidade entre o corpo e a máquina, entre o cinema e a sua falha, entre
o olhar e a sua interrupção, dran constrói-se como um campo de tensão. Não
propõe uma leitura, mas uma condição: a de estar diante de imagens que nos
obrigam a desviar, ligeiramente, o caminho.
Com o apoio: Art Dispertion | Beltrão Coelho | Universidade Lusófona
(Departamento de Cinema e Artes dos Media – DCAM)
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