Palácio Sinel de Cordes
Palácio Sinel de Cordes | Campo de Santa Clara | Lisboa Ver website
DISAPPEARING URBAN seminário
Segunda 8 junho 2026, 15:30–19:00
Entrada livre mediante registo
Seminário em inglês
[English below]
Nos últimos dois séculos, arqueólogos têm desenterrado vestígios de cidades outrora gloriosas, destruídas por catástrofes, violência ou abandono. Perante um processo aparentemente interminável de urbanização planetária, as cidades desaparecidas confrontam-nos com uma imagem dialética que é estranhamente profética: enterradas na areia, escondidas na selva ou congeladas em esculturas magmáticas, estas ruínas tornam a efemeridade da vida urbana inquietantemente explícita.
Numa era marcada pela subida do nível do mar, fenómenos meteorológicos extremos e guerras high-tech, a finitude das cidades, e da vida coletiva que albergam, exige séria atenção. No entanto, as cidades não são apenas ambientes construídos. O desaparecimento não é apenas físico, mas um processo subtil e contínuo de dissipação que ocorre enquanto as suas ruas e fachadas permanecem intactas. Sob os efeitos da gentrificação, da turistificação, da financeirização e da securitização, o urbano enquanto experiência, relação coletiva e forma estética parece estar incessantemente a desaparecer.
Este seminário questiona a nossa relação com esse desaparecimento – não como um facto consumado, mas antes uma condição contínua: o desaparecimento do passado (tradições, lugares, comunidades, solidariedades) e a dissipação dos futuros que nunca se concretizaram.
Embora os estudos urbanos se tenham, com razão, centrado no que está a ser construído e transformado, este seminário volta o seu olhar para o lado oposto: para o abandono, a destruição, o deslocamento, o esquecimento e a dissipação mais subtil de modos de habitar que não se enquadram nos modelos dominantes de desenvolvimento urbano, tecnológico ou social. O que significa viver em cidades que ainda estão de pé, mas que já desapareceram? Neste seminário, exploramos como a investigação urbana, a prática artística e a imaginação política podem resistir tanto ao fascínio da nostalgia como ao atalho da indiferença, mantendo ao mesmo tempo o olhar firme sobre o que já não existe, reaproveitando as suas potencialidades latentes para alimentar outros programas, práticas e paisagens de imaginação.
O seminário aborda estas questões através do som, do cinema e da literatura – três apresentações seguidas de uma mesa redonda com Q&A.
Oradores
Alberto Vanolo (Universidade de Turim), Granularidade Urbana. Turim Noturna e a textura do desaparecimento
Esta palestra utilizará um sintetizador granular como dispositivo
teórico e estético. A apresentação será acompanhada por uma síntese
granular ao vivo de gravações de campo noturnas de Murazzi. O público é
convidado a manipular o processador granular, suspendendo e
recombinando os fragmentos da vida noturna desaparecida de Turim a par
do texto falado.
Bartholomew Ryan (IFILNOVA, Lisboa), Para que servem os Poetas num Tempo de Desaparecimento?
Inspirando-se nas deambulações urbanas e textuais de Fernando
Pessoa, James Joyce e Søren Kierkegaard, esta palestra explora a poesia
como uma forma de vivenciar e expressar o desaparecimento, bem como uma
forma de reavivar o lugar, a existência e a sintonia com a realidade.
Ian Capillé (IFILNOVA, Lisboa), Como não ser visto. Cinema e Desaparecimento
Num mundo dominado por sistemas de comunicação e vigilância, ser
invisível é uma condição ambígua: carrega o estigma de uma existência
negada, mas, ao mesmo tempo, sugere a possibilidade de escapar ao
aparelho de controlo. À medida que muitas formas de vida desaparecem e
as redes sociais exigem uma hipervisibilidade constante, esta palestra
irá explorar a forma como o cinema habita estrategicamente o limiar do
visível.
Mesa redonda
Pedro Neto (ICS, Lisboa), pê feijó (escritor independente), oradores do seminário e organizadores Andrea Pavoni e Salomé Honório.
Local: Palácio Sinel de Cordes, Campo Santa Clara 142-145, 1100-474 Lisbon, Portugal
Data: Segunda 8 Junho 2026, 15:30–19:00
ENGLISH
DISAPPEARING URBAN seminar
Monday 8 June 2026, 15:30–19:00
Free entry with registration
Seminar in English
In the last two centuries, archaeologists have exhumed the remains of once glorious cities, destroyed by catastrophe, violence, or abandonment. In the face of a seemingly endless process of planetary urbanisation, disappeared cities confront us with a dialectical image that is uncannily prophetic: buried under sand, hidden in jungles, or frozen in magmatic sculptures, these ruins render the ephemerality of urban life unsettlingly explicit.
In an age of rising seas, extreme weather, and high-tech war, the finiteness of cities, and of the collective life they harbour, demands serious attention. Cities are not just built environments, however. Disappearance, in them, is not only physical, but a subtle and ongoing process of dissipation which takes place as their streets and façades remain intact. Under the effects of gentrification, touristification, financialisation, securitisation, the urban as experience, a collective relation, and an aesthetic form seems to be ceaselessly disappearing.
This seminar interrogates our relation to that disappearance – not as a completed fact, but as an ongoing condition: the vanishing of the past (traditions, places, communities, solidarities) and the dissipation of the futures that never came to fruition.
While urban studies have rightly been drawn towards what is being built and transformed, this seminar turns its gaze the other way: towards abandonment, destruction, displacement, forgetting, and the subtler dissipation of modes of inhabitation that do not fit dominant models of urban, technological, or social development. What does it mean to live in cities that are still standing, but already gone? In this seminar, we explore how urban scholarship, artistic practice, and political imagination might resist both the lure of nostalgia and the shortcut of indifference, while still keeping the gaze firm on what is no longer, repurposing its latent potentialities to fuel other programmes, practices, and landscapes of the imagination.
The seminar approaches these questions through sound, cinema and literature – three presentations followed by a roundtable with a Q&A session.
Speakers
Alberto Vanolo (University of Turin), Urban granularity. Nocturnal Turin and the texture of disappearance
This talk will employ a granular synthesizer as a theoretical and
aesthetic device. A live granular synthesis of nocturnal field
recordings from Murazzi will accompany the presentation, inviting the
audience to manipulate the granular processor, suspending and
recombining the grains of Turin’s disappeared nightlife alongside the
spoken text.
Bartholomew Ryan (IFILNOVA, Lisbon), What are Poets for in a Disappearing Time?
Drawing on the urban and textual wanderings of Fernando Pessoa,
James Joyce and Søren Kierkegaard, this talk explores poetry as a mode
of experiencing and expressing disappearance, as well as also a
reanimation of place, existence and tuning into reality.
Ian Capillé (IFILNOVA, Lisbon), How not to be seen. Cinema and Disappearance
In a world covered by communication and surveillance systems, being
invisible is an ambiguous condition: it carries the stigma of a denied
existence, but at the same time it indicates a possibility of escaping
the apparatus of control. As many forms of life disappear, as well as
social media demand constant hypervisibility, this talk will explore how
film strategically inhabits the threshold of the visible.
Roundtable
Pedro Neto (ICS, Lisbon), pê feijó (independent writer), the seminar speakers, and organisers Andrea Pavoni and Salomé Honório.
Venue: Palácio Sinel de Cordes, Campo Santa Clara 142-145, 1100-474 Lisbon, Portugal
Date: Monday 8 June 2026, 15:30–19:00
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Ficha técnica/Credits:
Organizado por/Organised by Andrea Pavoni (DINAMIA’CET-IUL), Salomé Honório (CECOMP-FLUL) e/and CADA
Acolhimento/Hosted by Lisbon Architecture Triennale
Com o apoio/With the support of FCT project Radical Urban Cultures (2024.15482.PEX), e/and DINAMIA’CET.
O CADA é uma estrutura financiada por/CADA is funded by: República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes
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