15:00 até às 17:30
Engenhos, Memórias, Paisagens: Os Moinhos de Mértola
A acção de património conduz às ribeiras afluentes do Guadiana em busca dos moinhos que, durante séculos, estruturaram o território e as comunidades de Mértola. Ali se arquiteta uma paisagem construída a partir da relação entre técnica, recursos naturais e práticas sociais.
O roteiro tem ponto de encontro na Achada de São Sebastião (Parque de Estacionamento da Estrutura Residencial para Idosos, Santa Casa da Misericórdia) e orientação do arquiteto e investigador Bruno Matos (BIOPOLIS-CIBIO; Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Porto). Ao longo das ribeiras afluentes do Guadiana, o património molinológico estruturou, durante séculos, a organização do território e das comunidades, exprimindo um saber-fazer intergeracional ancorado na leitura dos ciclos da água e na adaptação ao meio. Trata-se de uma paisagem cultural onde técnica, economia rural e dinâmica ecológica se articulam de forma indissociável.
No concelho, destaca-se o Moinho do Alferes, na Ribeira do Vascão, ativo até à década de 1960 e hoje reconvertido para fins de sensibilização ambiental, ilustrando a transição de função destes engenhos. Já o Moinho de São Miguel preserva a dimensão viva deste património, mantendo práticas artesanais de moagem e produção de pão ainda enraizadas no quotidiano local.
O estudo destes moinhos inscreve-se na investigação sobre património rural e sistemas tradicionais de moagem, com contributos de José Matos Ferreira e Orlando Ribeiro. No plano local, Cláudio Torres, através do Campo Arqueológico de Mértola, enquadrou estes engenhos na longa duração histórica do território.Fotografia: DR
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