Ateliê António Carneiro
R. de António Carneiro 363, 4300-025 Porto, Portugal - Porto Ver website
Tiago Sousa
Piano, Órgão Eléctrico, Taped Loops
Pianista e compositor autodidata desde 2006, desenvolve um percurso minimalista e contemporâneo sob a égide da Organic Music, com álbuns como Ripples on the Surface (2022), a série Organic Music Tapes (2021-2025) e A Thousand Strings (2024). A sua música, marcada por uma busca evolutiva partilhável, manifesta-se como experiência genuína e orgânica. Atualmente, explora intensamente o órgão elétrico — influenciado pelo minimalismo norte-americano (Riley, Reich, Glass) — e reinventa o piano através de composições fluidas que evocam formações naturais (montanhas, rios). Colaborou com artistas como Adriana Sá, Joana Gama e Marco Franco. Interpretou obras de Pärt, Cage e Satie, atuando em espaços como Casa da Música, Gulbenkian, OUT.FEST, além de palcos internacionais em Londres, Bruxelas e Barcelona.
O VOO DA ÁGUIA II: ANTÓNIO CARNEIRO E A LITERATURA
Após uma primeira exposição, em que se procurou mapear o inicio da carreira de António Carneiro, a sua passagem por Paris, as influências que recebeu e a elaboração de uma poética simbolista, de que se deram exemplos vários, desde a sua obra seminal, o tríptico «A vida – Esperança, Amor, Saudade», até às posteriores, em que essa estética se afirmou e consolidou, esta segunda parte procura perceber um outro eixo fundamental desta obra, encerrando o ciclo expositivo propiciado pela reabertura do Ateliê em 2024, numa iniciativa do Município do Porto e projeto de reabilitação do arquiteto Camilo Rebelo.
António Carneiro foi dos pintores portugueses que mais cedo evidenciou a capacidade de estabelecer diálogos profícuos com a literatura. Isso explicará a sua ligação ao Movimento d’A Renascença Portuguesa e à revista «A Águia», de que foi diretor, bem como as suas longas e profundas amizades com poetas e escritores. Uma linha de trabalho que haveria de encontrar, nas representações em torno de «Camões Lendo os Lusíadas aos Frades de São Domingos», o seu momento maior, também por serem estas obras referenciais maiores da Pintura de História, realizadas já no século XX.
Através da reunião dos estudos e de algumas das obras em torno de Camões, de retratos de escritores e de diálogos com Teixeira de Pascoaes, seu contemporâneo, ou com João Queiroz, artista também contemporâneo de Carneiro e cuja obra encontra relações com a do pintor, traça-se um itinerário crítico e visual capaz de demonstrar a importância e a atualidade de António Carneiro.
R. de António Carneiro 363, 4300-025 Porto, Portugal - Porto Ver website