19:00 até às 19:00
Uma Cenógrafa e Um Dramaturgo Entram Num Palco
©João Gambino

Uma Cenógrafa e Um Dramaturgo Entram Num Palco

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  • Evento terminado
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Local: Sala Mário Viegas

Parte 1 – Campânula de Vidro

Uma cenógrafa e um dramaturgo entram num palco. Dentro do cenário do Misantropo, que era o espetáculo que estavam a fazer, percebem que podem falar e não ser ouvidos. Percebem que a ficção é um ótimo contexto para dizer algumas coisas. Percebem que os livros fazem mais do que ocupar espaço, percebem que nos livros a história já vinha escrita. Procuram vestígios das suas biografias, tentam ler as palavras dos outros sem as tornar suas. Tentam perceber o que correu mal, e tentam perceber porque razão estão uma cenógrafa e um dramaturgo num palco.
Um espetáculo que propõe uma reflexão acerca do suicídio e da dificuldade de falar sobre saúde mental, através das vozes de escritoras, personagens e dos próprios. O palco torna-se um espaço onde se leva ao limite a autoficção e onde qualquer frase é por defeito uma confissão.
As palavras saem como que de lado — escorregam pelas costuras da ficção e vão bater no chão sem barulho, ficam lá, imóveis, como pássaros mortos ou cartas abertas. É que há um tempo antes da frase, um tempo onde ainda se escolhe se se fala ou se se engole. Aqui escolhem falar. Talvez tenham começado sem querer. Dizem coisas que não são deles, dizem coisas que são deles, mas parecem lidas— a voz fica espessa de outras vozes. Livros dentro da boca. Escritoras a empurrar frases para tentarem falar sobre o que não se consegue dizer. Não há garantias, eles não sabem o que elas doem, chegam e falam com quem estiver.

No palco, o corpo treme ligeiramente.
No palco, as palavras já não lhes pertencem.
No palco, há um momento em que já não é preciso saber se ainda estamos na verdade ou já seguimos em frente.

Parte 2 – Tudo Sobre a Emma

Emma, a figura central de um espetáculo chamado Campânula de Vidro, sobreviveu à queda, mas não sabemos onde está. Emma é uma ausência. Uma narrativa fragmentada que se compõe através de testemunhos, indícios e projeções ficcionais. Nunca ouvimos a sua própria voz—apenas ecos de quem a viu, a perdeu, a procurou. Dois especialistas (Leonor Cabral e Vítor d’Andrade) conduzem esta investigação, mas não são testemunhas nem autores. O que apresentam são reconstruções, versões contraditórias, fragmentos de uma memória coletiva.
Este espetáculo opera como uma arqueologia especulativa: convocamos detetives, videntes, atores e amigos para mapear uma ausência. Emma caiu, sobreviveu, desapareceu. O dispositivo cénico transforma-se num arquivo vivo onde o real e o especulativo colidem.
Afinal, Emma pode ser um nome fictício, um caso clínico, um dispositivo dramatúrgico. Pode ter seguido com a vida ou pode estar morta. No limite, a dúvida é o único facto. Este espetáculo é um espaço onde a possibilidade da sua sobrevivência coexiste com a evidência da sua perda.

No final, esperamos que alguém se levante e diga: “Sou eu. Correu tudo bem.”
Ou não.

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Datas e Horários
7 a 15 março
quarta a sábado, 19h; domingo, 16h
Duração
2h, com intervalo (15 min)

Escolas (Parte 1 – Campânula de Vidro)
11, 12 e 13 março
quarta a sexta, 10h30
Duração: 1h
Escolas (Parte 1 – Campânula de Vidro)
(por marcação: publicos@teatrosaoluiz.pt)

Fonte: https://www.teatrosaoluiz.pt/espetaculo/uma-cenografa-e-um-dramaturgo-entram-num-palco/
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