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«Ao Virar da Esquina | Limiar do Limita: Horror & Beleza», de Pires Laranjeira

«Ao Virar da Esquina | Limiar do Limita: Horror & Beleza», de Pires Laranjeira

Como parte da programação de Acolhimento, a Casa da Esquina apresenta «Ao Virar da Esquina | Limiar do Limita: Horror & Beleza».

Este é um percurso intermitente e irregular de Pires Laranjeira – professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - no desenho e fotografia, mas com uma linha de continuidade e coerência quanto ao interesse pela sociedade, cultura e política relativa aos oprimidos e deserdados da história dos últimos 60 anos (e de sempre), além de outros aspetos circunstanciais e críticos. Toda a arte é social e pode provir do horror. A pintura, a fotografia, o cinema, a literatura ou a música não captam a realidade, mas apenas a procuram desesperadamente documentar, simbolizar ou sugerir, expondo o seu simulacro em galerias, museus, bibliotecas, cinematecas, coleções – tudo material transformável e perecível, como a vida do universo. O autor usa materiais pobres, comuns, simples: tinta da China, lápis, caneta, marcadores, papel corrente; e técnicas expressionistas, gestualismo, colagem, movimentos instantâneos, figuração de BD, "arte povera".

São fotografias de 1968-72, por exemplo, do Porto de Leixões, da pobreza em bairro do Grande Porto e de sinais da “contracultura” da época da juventude da classe média “remediada”.

Também aspetos da sociabilidade em meios pobres do Brasil, além de instantâneos documentando alguns marginalizados.

Fotografias e desenhos representam/apresentam figuras, temas, simbolismos, vivências de gentes negras ou de culturas diversas (muçulmanos, árabes, indígenas brasileiros, operário húngaro, jogadores negros), no futebol, música, quotidiano em bairros e aldeias pobres.

Conjunto de desenhos simbólicos de guarda-redes de futebol conotando a política, feminismo, racismo, choques culturais, dramas e tragédias locais.

Desenhos sobre as chacinas e destruições atuais em Gaza e um exemplo de liberdade feminina.

Desenhos retratando escritores, artistas, amig@s, familiares, homenageados, e outras pessoas que suscitaram interesse.

Esboços, esquissos, apontamentos em folhinhas soltas, cadernos, em viagem, observações ao acaso, aspetos eróticos.

Pequena mostra de (capas de) livros, objetos e correspondência relativa à sua ligação à região Centro, esta cerca de 1970, com homenagem a António Pedro Pita, José de Matos-Cruz, José Freire Antunes e António Augusto Menano (pela colaboração, à época, em jornais de Coimbra, Covilhã e Figueira da Foz).

Inauguração
Contará com a apresentação do livro "Matéria de Resistência e Espanto nas Literaturas de Língua Portuguesa" com ensaios de 18 autores de vários países. As intervenções estão a cargo de Filipa Alves, Manuel Oliveira, António Jacinto Pascoal, Rodrigues Vaz, Pires Laranjeira, Doris Wieser e Joaquim Emídio. O momento musical estará a cargo do músico angolano Chalo Correia.

Biografia
N. em 1950, em Melgaço. Cresceu fundamentalmente no Porto e Rio Tinto, onde estudou e foi escriturário judicial e jornalista (também desportivo) da imprensa e da Radiodifusão Portuguesa. Foi militar em Luanda (1972-74). Viveu em Londrina (Paraná). Mestrado na FLUL, doutoramento na FLUC e pós-doutoramento informal na Univ. de Cergy-Pontoise (região de Paris). Docente desde 1980-81, na FLUC, durante 40 anos, tendo-se jubilado como Prof. Associado, da área de Literaturas e Culturas Africanas.
Publicou vários livros, salientando-se A negritude africana de língua portuguesa (1995), Literaturas africanas de expressão portuguesa (1995) e A noção de ser. Textos escolhidos sobre a poesia de Agostinho Neto (2014, com Ana T. Rocha). Publicou centenas de textos, ensaios, poemas, desenhos, dispersos por 140 jornais e revistas de vários países. Conferências, palestras, colóquios, cursos em quatro continentes. Participou em mostras de desenho e fotografia, fez uma exposição individual e atuou em algumas sessões de educação pela arte. Hoje, é apenas membro da cooperativa UNICEPE (Porto) e da União dos Escritores Angolanos, Academia Angolana de Letras e do PEN Clube de Portugal.

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