Sempre que um dos mais destacados pianistas portugueses regressa ao palco, a música parece concentrar-se à sua volta com intensidade invulgar. Herdeiro de uma rara e importante linhagem pianística, Artur Pizarro junta-se à Orquestra Sinfónica Portuguesa e ao seu maestro titular, Antonio Pirolli, para um programa de puro virtuosismo. O Concerto para piano n.o 2 de Prokofiev continua a ser uma das maiores provas de fogo do repertório: uma partitura concebida com audácia juvenil, perdida durante a Revolução e recriada com uma força ainda maior. A vasta cadência do primeiro andamento, o implacável scherzo, o humor sombrio da marcha e o finale feroz exigem do solista um domínio absoluto tanto da técnica como da expressividade, territórios em que Artur Pizarro se distingue. Já Scheherazade de Rimski-Korsakov requer um virtuosismo orquestral de outra ordem: cores cintilantes, uma empolgante narrativa ao som do violino solo e um enredo inebriante de mil e uma noites imaginadas. Sob a batuta de Antonio Pirolli, a orquestra torna-se narrador e viajante, navegando por mares tempestuosos até idílios luminosos e ao deslumbre vertiginoso do Festival de Bagdade. Um pianista. Uma orquestra. Duas visões do brilhantismo da música russa. Um concerto em que cada gesto se torna história.
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