18:30 até às 19:30
PONTES IBÉRICAS: UM ÁLBUM MUSICAL EM 4 CONCERTOS #3
Grátis
𝐏𝐎𝐍𝐓𝐄𝐒 𝐈𝐁É𝐑𝐈𝐂𝐀𝐒: 𝐔𝐌 Á𝐋𝐁𝐔𝐌 𝐌𝐔𝐒𝐈𝐂𝐀𝐋 𝐄𝐌 𝟒 𝐂𝐎𝐍𝐂𝐄𝐑𝐓𝐎𝐒 #𝟑
📅 𝐒𝐄𝐗 𝟑𝟏 𝐎𝐔𝐓 — 𝟏𝟖𝐇𝟑𝟎
📍𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐝𝐞 𝐒𝐚𝐧𝐭𝐚 𝐂𝐥𝐚𝐫𝐚
𝐏𝐞𝐝𝐫𝐨 𝐌𝐨𝐧𝐭𝐞𝐢𝐫𝐨
Entrada livre, sujeita à lotação do espaçoO ciclo “Pontes Ibéricas: um álbum musical em quatro concertos”, promovido pelo Museu do Porto, prossegue com o terceiro recital da série — “Pontes Ibéricas III – O Diálogo com Itália” — um concerto dedicado à relação entre os órgãos ibérico e italiano dos séculos XVII e XVIII.
Entre o rigor do contraponto e a expressividade barroca, este programa conduz o público por um percurso musical que reflete a intensa circulação de ideias, estilos e formas na Europa. A interpretação está a cargo do organista Pedro Monteiro, num instrumento que, pela sua acústica e monumentalidade, ressoa de forma singular na Igreja de Santa Clara.
O repertório reúne compositores ibéricos e italianos que marcaram o desenvolvimento da música para órgão: Pablo Bruna, Juan Cabanilles, Martín y Coll e João de Sousa Carvalho, em diálogo com Giovanni Gabrieli, Girolamo Frescobaldi, Michelangelo Rossi, Bernardo Storace e Domenico Scarlatti.
Entre tentos, ricercari, canzonas, correntes, ciaccone, chaconas e toccatas, o público é convidado a ouvir as “pontes” musicais que uniram tradições ibéricas e italianas — do contraponto austero do século XVII ao virtuosismo expressivo do século XVIII.
𝐏𝐫𝐨𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚:
𝐏𝐨𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐈𝐛é𝐫𝐢𝐜𝐚𝐬 𝐈𝐈𝐈 – 𝐎 𝐃𝐢á𝐥𝐨𝐠𝐨 𝐜𝐨𝐦 𝐈𝐭á𝐥𝐢𝐚I. Raízes do contraponto
Pablo Bruna (1611–1679)
Tiento a 2 tiples
Fonte: manuscritos de Daroca (séc. XVII)
Escrito pelo organista cego de Daroca, este tento demonstra o domínio do contraponto imitativo e o uso expressivo da divisão de registos típica do órgão ibérico.
Giovanni Gabrieli (1557–1612)
Canzona a 4
Fonte: Canzoni per sonare con ogni sorte di stromenti, Veneza, 1608
Peça polifónica concebida para o espaço sonoro de São Marcos de Veneza, adaptada aqui ao órgão.
Giulio Modena (fl. séc. XVII)
Ricercar a 4 de 4º tono
Fonte: manuscrito do século XVII, Biblioteca Nazionale Marciana, Veneza
Ricercar denso e imitativo que reflete o legado do contraponto franco-flamengo e a sobriedade da escola veneziana.II. Dança e invenção
Juan Cabanilles (1644–1712)
Corrente Italiana
Fonte: Obras de órgano de Cabanilles, ed. Higinio Anglés, CSIC, Barcelona, 1927–1933
O “italianismo” de Cabanilles manifesta-se aqui na escrita rítmica e ornamentada inspirada na corrente, dança de origem transalpina.
Girolamo Frescobaldi (1583–1643)
Bergamasca
Fonte: Fiori musicali, Roma, 1635
Tema de baixo repetido com variações que aliam erudição e espírito popular, uma síntese do génio inventivo de Frescobaldi.III. Tensão e virtuosismo
Michelangelo Rossi (c. 1601–1656)
Toccata Settima
Fonte: Toccate e correnti d’intavolatura d’organo e cembalo, Roma, 1657
Um dos exemplos mais audaciosos do barroco italiano: cromatismo extremo, harmonia instável e drama expressivo que antecipa o estilo tardio de Frescobaldi e Froberger.
Bernardo Storace (fl. 1664)
Ciaccona
Fonte: Selva di varie compositioni d’intavolatura per cimbalo ed organo, Veneza, 1664
Série de variações sobre um baixo ostinato que evidencia o gosto ornamental da escola siciliana.
Martín y Coll (c. 1670–1734)
Chacona
Fonte: Flores de música, para el órgano, o clavicordio, Madrid, c. 1706–1709
Compilação que recolhe melodias e danças populares; esta chacona é exemplo da vitalidade rítmica e do sabor ibérico das variações sobre ostinato.IV. Síntese e apoteose
Domenico Scarlatti (1685–1757)
Sonata em Ré menor, K. 513
Fonte: Venice XIII Manuscript, Biblioteca Marciana, Veneza, c. 1753
A síntese perfeita entre virtuosismo italiano e expressividade ibérica, escrita durante o período lisboeta e madrileno do compositor.
João de Sousa Carvalho (1745–1798)
Toccata em Sol menor
Fonte: manuscritos autógrafos, Biblioteca Nacional de Portugal, Lisboa, séc. XVIII
Obra de grande força teatral, herdeira da escola napolitana e do gosto clássico tardio português, encerrando o concerto com brilho e solenidade.
𝐒𝐨𝐛𝐫𝐞 𝐨 𝐜𝐢𝐜𝐥𝐨 “𝐏𝐨𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐈𝐛é𝐫𝐢𝐜𝐚𝐬”
Apresentado em quatro concertos, o ciclo propõe um percurso pelas relações artísticas e culturais que moldaram o repertório organístico ibérico, evidenciando a Península como ponto de encontro entre estilos europeus.
Depois dos diálogos com França e Alemanha, este terceiro concerto estabelece a ligação com Itália — berço da invenção harmónica e do virtuosismo instrumental — antes da conclusão do ciclo, que se realizará ainda este ano.
Recomendamos que confirme toda a informação junto do promotor oficial deste evento. Por favor contacte-nos se detectar que existe alguma informação incorrecta.

