Inauguração da exposição
"Dos afetos à Resistência" | MANUEL FIGUEIRA / LUÍSA QUEIRÓS / BELA DUARTE | Cooperativa Resistência
5ª feira, 2 de outubro de 2025 | 17h00
A inauguração contará com a presença de Sua Excelência o Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Dr. Augusto Veiga.
Momento musical com Sérgio Figueira, voz e guitarra e Denys Stetsenko no violino.
Sobre a exposição:
A mostra homenageia três figuras centrais da cultura cabo-verdiana, Manuel Figueira, Bela Duarte e Luísa Queirós, bem como o impacto decisivo da Cooperativa Resistência na afirmação da identidade nacional. Revisita as relações afetivas, artísticas e políticas que uniram estes autores e que, a partir de São Vicente, estabeleceram pontes entre o mundo interior e o mundo exterior.
A resistência aqui evocada manifesta-se de forma subtil: implícita nas mensagens e documentos do seu tempo, tecida nas tapeçarias, pintada nos quadros, moldada nos objetos, captada pela fotografia e refletida nos registos documentais.
Em Lisboa, "Dos Afetos à Resistência" propõe à comunidade cabo-verdiana e ao público em geral um reencontro com a força dos laços criativos que moldaram a história cultural do arquipélago.
A exposição estará patente entre outubro e dezembro de 2025
Sobre os artistas:
MANUEL FIGUEIRA (1 de novembro de 1938 – 8 de outubro de 2023)
Nasceu na ilha de São Vicente, Cabo Verde. Viveu em Portugal entre 1960 e 1974, e foi o primeiro cabo-verdiano a frequentar a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, onde concluiu o curso de Pintura. Com a independência de Cabo Verde, regressou em 1975 a convite das novas autoridades, para colaborar na revitalização da cultura popular do arquipélago. Em 1976 fundou a Cooperativa Resistência, com Luísa Queirós e Bela Duarte, com o objetivo de manter viva a tecelagem tradicional cabo-verdiana num contexto de criação contemporânea. Entre janeiro de 1978 e março de 1989 foi Diretor do Centro Nacional de Artesanato no Mindelo, organismo que passou a albergar tanto o acervo etnográfico recolhido no arquipélago como obras contemporâneas realizadas com técnicas tradicionais. Ao longo da sua carreira, dedicou-se à pintura, tapeçaria, desenho e pesquisa simbólica da cultura cabo-verdiana, sendo figura central na construção da estética pós-independência.
LUÍSA QUEIRÓS (1939 – 22 de junho de 2017)
Nasceu em Lisboa e, ainda antes da independência de Cabo Verde, mudou-se para Mindelo, onde residiu desde 1975. Em 1964 concluiu o Curso de Pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, sendo bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Entre 1964 e 1977 lecionou Educação Visual em Lisboa e em São Vicente. Em 1976 integrou a fundação da Cooperativa Resistência, onde iniciou sua atividade como tecelã. Em 1978 participou também da criação do Centro Nacional de Artesanato, ensinando tecelagem, tapeçaria e batik. Além da arte têxtil, destacou-se como criadora de marionetas, ilustradora de livros (infantis e juvenis), revistas e capas de discos. Em 1992 cofundou com Bela Duarte a Galeria “Azul + Azul = Verde” em Mindelo. A sua pintura figurativa, de cores vivas e formas narrativas, reflete histórias, afetos e simbolismos próprios do universo cabo-verdiano.
BELA DUARTE (1940 – 21 de junho de 2023)
Nasceu em São Vicente, Cabo Verde. Formou-se em artes decorativas em Lisboa — frequentou a Escola António Arroios e o Curso de Desenho Artístico na Sociedade Nacional de Belas Artes. Entre 1968 e 1974 lecionou Desenho Visual em São Vicente. Em 1976 integrou o núcleo fundador da Cooperativa Resistência, ao lado de Manuel Figueira e Luísa Queirós. Em 1978 colaborou na criação do Centro Nacional de Artesanato, lecionando tecelagem, tapeçaria e batik. No mesmo ano fundou, com Luísa Queirós, a Galeria “Azul + Azul = Verde” no Mindelo. A sua obra transitou entre pintura a óleo e acrílico, batik, tecelagem, e outros suportes, com forte ligação à identidade cultural cabo-verdiana.
COOPERATIVA RESISTÊNCIA (1976 )
Fundada em 1976 no Mindelo, São Vicente, por Manuel Figueira, Luísa Queirós e Bela Duarte, a Cooperativa Resistência constituiu-se como espaço coletivo de criação, experimentação artística e ensino. Serviu como um projeto pioneiro no pós-independência para integrar a tecelagem tradicional, artes plásticas e design numa estética moderna. Ao longo das décadas, formou diversas gerações de artistas e artesãos e contribuiu decisivamente para a afirmação de uma identidade cultural cabo-verdiana plural. A cooperativa também esteve associada ao Centro Nacional de Artesanato e ao reforço da presença das técnicas tradicionais no circuito contemporâneo das artes visuais.