18:00 até às 18:00
Lover’s Fountain (I will not always be here), de Albert Tannat
Grátis
A fonte do amor.
Eu não vou estar sempre aqui.Duas frases que parecem contraditórias e, ao mesmo tempo, completam-se. Unidas, formam o mais elevado grau de amor: o encontro entre amor-próprio e amor partilhado, a fusão que alcança a expressão mais livre de amar.
Nesta exposição, há uma série de pinturas em papel, todas no mesmo formato, acompanhadas por um objeto escultórico que se assume como figura central. No entanto, esta peça só será ativada após a inauguração, num evento pensado como reativação da própria exposição.As composições de Albert Tannat são leituras do íntimo, do amoroso, mas sobretudo dão-nos uma exposição sobre o amor em tensão, onde elementos inquietos esvoaçam como pombas saltitantes — casas, uma casa em chamas, cavalos, figuras femininas, a mesa de bar, uma fonte que verte água. As casas surgem como refúgio, espaço seguro, recolhimento, individualidade e conforto, mesmo quando ardem; ainda assim são abrigo, ainda assim sustentam. Corpos despidos de excitação. Uma mulher nua banha-se num prazer sombrio, onde desejo e dor coexistem, atravessando limites, expondo fragilidades. Outro corpo despido sem sombras, sem história, apenas um corpo que se deleita. A mesa de bar continua a ser local de reflexão.
As dicotomias são cruas — liberdade e prisão, insegurança e controlo, risco e certeza. O caminho começa turvo, mas ao percorrê-lo torna-se mais claro. Avança-se com precaução, com atenção, como a figura do cavalo de dorso caído, dominado e quase vulnerável. Uma imagem que contrasta com os cavalos, fortes e poderosos, que por norma Tannat desenha.
Outros elementos surgem como memórias, ecos de histórias passadas.Há sempre tensão entre brutalidade e catarse. Um desconforto que não destrói — mostra algo novo.No caos, Tannat constrói a sua própria linguagem. Cores cruas e terrosas, tons pastel. Traço direto, bruto, sem medo de falhar. Bizarria nas figuras, violência no gesto, exotismo nos padrões.
Influências punk e outsider. Imperfeição que se transforma em linguagem, desconforto que se transforma em estética. Arde e acolhe. Fere e liberta.É íntimo. É amoroso. É brutal. Uma leitura sobre o amor e a paixão, numa exposição
intimista, de Albert Tannat, sobre a fragilidade que insiste em existir. Sobre a vida que arde e resiste.Texto e curadoria: Mariana Frazão
ENTRADA LIVRE
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