Um casal de reformados, Tita e Gui, casados há décadas, falam-nos na sala de estar da sua casa. O casal aluga um quarto da sua casa a uma jovem estudante que de vez em quando cruza a cena para pouco mais do que atender o telefone, mas cuja presença põe em xeque toda a normalidade que se tenta fabricar na descrição do quotidiano.
Tendo sido originalmente escrita para a Rádio, a peça contém uma forte carga irónica e de humor negro, servida com um ritmo vertiginoso e fervilhante.
A dinâmica textual entre as personagens convida o espectador a entrar nesta sala de estar, onde, próximo dos protagonistas, fará um trabalho de detetive para preencher os vazios que as personagens deixam e compreender que a leveza do tom, e aparente superficialidade, pode esconder algo mais preocupante e grave. Apesar de estarmos perante um retrato da morbidez e maldade humanas, às vezes realista, às vezes caricatural, sabemos tanto pelo que é dito como pelo que é não dito, que não podemos descansar sobre a aparência inofensiva das personagens.