22:00
A Noite dos Visitantes,  de Peter Weiss

A Noite dos Visitantes, de Peter Weiss

Grátis

𝐀 𝐍𝐨𝐢𝐭𝐞 𝐝𝐨𝐬 𝐕𝐢𝐬𝐢𝐭𝐚𝐧𝐭𝐞𝐬, 𝐝𝐞 𝐏𝐞𝐭𝐞𝐫 𝐖𝐞𝐢𝐬𝐬
Cocriação Teatro das Beiras/Teatro da Rainha

𝐃𝐢𝐚: 24 julho 2025
𝐇𝐨𝐫𝐚: 22h00
𝐋𝐨𝐜𝐚𝐥: Rua do Espírito Santo, Medelim
𝐂𝐨𝐨𝐫𝐝𝐞𝐧𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐆𝐏𝐒: https://maps.app.goo.gl/w3TdJ9DHkqP5kekT7
𝐃𝐮𝐫𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨: 60 minutos (aprox.)
𝐂𝐥𝐚𝐬𝐬𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐞𝐭𝐚́𝐫𝐢𝐚: M/12
𝐀𝐜𝐞𝐬𝐬𝐨: Entrada gratuita.
𝐑𝐞𝐜𝐨𝐥𝐡𝐚 𝐝𝐞 𝐢𝐦𝐚𝐠𝐞𝐧𝐬: Não é permitida a recolha de imagens.

𝐒𝐢𝐧𝐨𝐩𝐬𝐞
A Noite dos Visitantes, de Peter Weiss, é uma reflexão em verso popular e rimado, referida ao teatro Kabuki e ao Guignol, projecto radicalmente antinaturalista que se debruça sobre como as populações civis são as vítimas eternas dos imperialismos. Autor de um teatro politizado e documental, Weiss realiza nesta peça uma parábola que, sendo referida ao final da Segunda Guerra Mundial, mostra como o esbulho e o saque dos recursos naturais de outros acaba por manchar de forma infame a justa vitória dos “libertadores” da Europa, Russos e Americanos. Sendo uma parábola, a sua lição está muito para além dessa limitação referencial histórica. A Noite dos Visitantes, cuja moral final será «não tens mais que as tuas mãos e umas batatas para semear» para construir o futuro, tem tradução de Mário Barradas e será encenada por Fernando Mora Ramos. No ano em que cumprimos 40 anos, a co-produção, com o Teatro das Beiras — uma das mais destacadas companhias do interior do país em desertificação — é uma homenagem ao homem de teatro Mário Barradas.

𝐒𝐨𝐛𝐫𝐞 𝐨 𝐞𝐬𝐩𝐞𝐭𝐚́𝐜𝐮𝐥𝐨
Esta peça popular, escrita em verso e traduzida – na verdade, uma versão – pelo Mário Barradas nos anos setenta, é uma parábola. Esse é um motivo de interesse maior: praticar uma estética que se opõe à literalidade, desde logo nas falas, à cópia naturalista do real, gerando na comparação, através de um desvio narrativo (uma analogia) o que é o termo da comparação. Fazê-lo entre referências ao kabuki, ao teatro de guignol, ao circo e ao trabalho clownesco, mais nos afasta desta peste contemporânea que é a representação em registo de novela, afundada na irrelevância sobrevalorizada e na psicologia culinária, mole e destituída de potência de ignição enérgica para o jogo dos actores, de energia motivadora de atenção.
É no “entre”, na relação cena/sala, que tudo se passa – as escritas para teatro são as escritas da energia “partiturada” desse “entre”.
Neste caso, em contexto de ar livre, através de um trabalho de criação pensado para as exigências de escala do ar livre – ar livre não é necessariamente teatro de rua. É um exterior que se busca, ou seja, um edifício apropriado, boas condições acústicas e privilegiadas para o exercício do olhar, a procura da atenção comprometida e criada por essa troca enérgica que uma representação viva tem de elaborar.
A história é elementar: dois “visitantes” (dois homens armados, dois exércitos) entram por uma casa camponesa dentro (um país), ocupando-a e fazendo da família (mãe e dois filhos) reféns, enquanto o pai, que ao elencar tudo aquilo que tinham para lhes dar, falou de ouro escondido num cofre, sai e vai supostamente desenterrá-lo no canavial.
A fenómenos semelhantes temos assistido, forças ocupantes e povos massacrados, sejam as razões geoestratégicas ou apenas materiais, de esbulho imediato, metais raros, petróleo, lítios, etc… Saímos há uns anos da guerra fria e estamos em plena guerra quente – a contabilidade dos mortos não cessa de crescer perante a nossa impotência, passividade, e as forças imperiais mantêm a “paz planetária” num inferno constante.
Na peça, é o ouro que é chamariz e, no fim, na prometida arca da fortuna, existem beterrabas – a parábola é obviamente uma forma “estranhada” (desviada) de contar uma história.
Com as beterrabas nas mãos, o casal de irmãos, que sobrevivem, sai em direcção ao futuro, esse é o tempo que lhes resta diante. É um fim, imaginado a partir de uma mortandade generalizada, uma única possibilidade do refazer a vida: o refazer desde a raiz de uma vida que esgotou as suas formas sociais e comuns de existência e que perdeu referências ideais de estruturação. Será possível?
Esse é porventura o exercício proposto pela parábola.
O futuro, neste caso, só pode ser essa invenção, futuro não prescrito, como se as memórias acumuladas dos gestos históricos de emancipação fossem suspensas em nome de um recomeço radical das possibilidades de organizar uma sociedade face aos falhanços generalizados. Nada mais que pernas, mãos, e beterrabas, sendo as beterrabas a riqueza, alimentação, a sobrevivência em busca de vida – durante a peça as crianças dão sinal bem claro, expressivo, de vitalidade e capacidade crítica.
Com beterrabas nas mãos, aí vão eles em direção ao futuro – Marte na entra na fábula a contar -, um futuro a erguer por cima dos cadáveres que em cena dizem os limites a que a loucura venal sistémica, capitalista, e os poderes imperiais nos têm conduzido.
Fernando Mora Ramos

𝐅𝐢𝐜𝐡𝐚 𝐚𝐫𝐭𝐢́𝐬𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐞 𝐭𝐞́𝐜𝐧𝐢𝐜𝐚

Autor: Peter Weiss
Tradução: Mário Barradas
Encenação, prólogo e epílogo/canção: Fernando Mora Ramos
Assistência de encenação: Fábio Costa
Interpretação: Benedita Mendes, Miguel Brás e Sónia Botelho (Teatro das Beiras), Fábio Costa, Hâmbar de Sousa e Tiago Moreira (Teatro da Rainha)
Dispositivo cénico: Fernando Mora Ramos
Iluminação: William Alves
Criação sonora: Tiago Moreira
Instrumentista: João Nuno Henriques
Figurinos: Rafaela Ciríaco da Graça
Adereços: Alexandra Agostinho
Apoio à caracterização, desenho e execução de telão: Rafaela Schimitt
Design gráfico e imagem: José Serrão
Cocriação: Teatro das Beiras / Teatro da Rainha
Apoio à divulgação: Antena 1 e Antena 2
O Teatro das Beiras é uma estrutura apoiada pela República Portuguesa - Cultura / DGArtes e pelo Município da Covilhã.

𝐒𝐨𝐛𝐫𝐞 𝐨 𝐓𝐞𝐚𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐚𝐬 𝐁𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬

O Teatro das Beiras foi criado em 1974 na Covilhã e é companhia profi­ssional desde 1994.
Produziu 114 criações, tendo realizado mais de 3.000 apresentações. O Teatro das Beiras, apesar de ser um projeto de descentralização teatral para a Beira Interior, mostra as suas produções em todo o país, tendo realizado representações em cerca de 140 concelhos e participado em muitos dos Festivais de Teatro Portugueses.
Realizou coproduções com o Teatro Nacional D. Maria II, CENDREV, ACERT, Teatro do Montemuro, Quarta Parede e com o Karlik danza teatro.
Organiza desde 1980 o Festival de Teatro da Covilhã. No plano internacional, para além de deslocações a Espanha e França, desde 2015 que participa no Circuito Ibérico de Artes Cénicas, do qual é membro fundador.

+ info: http://www.teatrodasbeiras.pt/

𝐀𝐩𝐨𝐢𝐨
Junta de Freguesia de Medelim
Esta apresentação integra o projeto Rede das Cidades Criativas UNESCO do Centro de Portugal, que integra o Turismo Centro de Portugal (TCP) e os seis municípios desta região reconhecidos como Cidades Criativas pela UNESCO: Caldas da Rainha (Artesanato e Artes Populares), Castelo Branco (Artesanato e Artes Populares), Covilhã (Design), Idanha-a-Nova (Música), Leiria (Música) e Óbidos (Literatura).

𝐈𝐧𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬
Centro Cultural Raiano
Av. Joaquim Morão
6060-713 Idanha-a-Nova
GPS: 39.926967, -7.243981
Tel.: (+351) 277 202 900
Email: ccr@idanha.pt
Site: http://www.idanha.pt/agenda

Horário: De terça a domingo, das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00, exceto a 1 de janeiro, Domingo de Páscoa, feriado municipal (terceira segunda-feira após a Páscoa) e 25 de dezembro. A bilheteira abre uma hora antes do início dos espetáculos.

Recomendamos que confirme toda a informação junto do promotor oficial deste evento. Por favor contacte-nos se detectar que existe alguma informação incorrecta.
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