Com José Manuel de Oliveira e Sónia Valente Rodrigues
Neste ano em que se multiplicam as homenagens a Camilo Castelo Branco, no bicentenário do seu nascimento, mergulhamos na dimensão humorística da sua obra. A originalidade com que o primeiro autor português a conseguir viver apenas da escrita tratou os temas das suas obras confere-lhe a intemporalidade dos clássicos. Mas também intemporal é o tom satírico com que constrói personagens e episódios do quotidiano, aparentemente inofensivos, para denunciar, através do riso, os vícios sociais da época.
Na sua vastíssima produção literária, que vai desde folhetins a ensaios, crítica literária, poesia, teatro, crónica ou, naturalmente, o romance, em que se notabilizou, Camilo alterna entre a ironia subtil e a crítica mordaz, usando habilidosamente o humor como uma lente sobre a sociedade portuguesa do século XIX. Nem mesmo «Amor de Perdição» escapa ao terrível humor satírico de Camilo: por entre o dramatismo da história ultrarromântica, o leitor mais atento descobrirá linhas carregadas de humor e ironia. Já em «Vinte Horas de Liteira», o autor transforma uma simples viagem num suceder de críticas aos costumes da sociedade oitocentista. Nos romances como nos vários textos que publica na imprensa, em que não raras vezes assina com pseudónimos, também eles reveladores do seu perfil cómico, a classe política, claro, é também alvo da sátira camiliana, num retrato caricatural que facilmente podemos identificar na política mesmo hoje em dia, mostrando que Camilo é tão atual hoje como no seu tempo.
INSCRIÇÕES
Entrada gratuita
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DESTINATÁRIOS
Público em geral
ENDEREÇO
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4050-029 Porto
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AUTOCARRO
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S. Bento
ESTACIONAMENTO
Praça do Infante D. Henrique
Fonte: https://museudoporto.pt/recurso/um-objeto-e-seus-discursos-vinte-horas-de-liteira-de-camilo-castelo-branco/