21:00 até às 00:30
25 de Abril no Chapitô

25 de Abril no Chapitô

Grátis
Chapitô Celebra 25 de abril com circo e reflexões

Na véspera de mais um 25 de Abril, o Chapitô prepara-se para uma noite em que o circo se enlaça ao canto e as histórias da resistência ecoam – emocionantes e, por vezes, cómicas – nos ouvidos atentos e curiosos de jovens e adultos. A partir das 21h, na esplanada do Chapitô, os estudantes da Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espetáculo marcharão numa descida coreografada como “algozes” e “líderes de Abril”, enquanto o Coro Lopes-Graça preencherá o ambiente com as “Canções Heroicas”, essas mesmas que nunca foram completamente silenciadas pela PIDE. O cenário é a nossa grande Casa de Cultura, nascida da revolução, palco onde o passado se agita, vivo e inquieto, sob o céu de Lisboa.
Entre os convidados, rostos marcados pelas prisões políticas do Estado Novo erguerão as vozes que um dia o regime tentou silenciar. Os seus testemunhos recordarão que a madrugada de 1974 não foi um mero acaso, mas sim o culminar de décadas de luta clandestina. Os representantes da URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses –, herdeira direta da corajosa Comissão de Socorro aos Presos Políticos, estarão presentes não como meros espectadores, mas como guardiães de uma memória que jamais deve ser esquecida.
Já o Coro Lopes-Graça, que nos anos da ditadura desafiava a censura em reuniões secretas, voltará a entoar os hinos que nunca deixaram de ser cantados, mesmo que silenciosamente, nas degradantes celas das prisões da PIDE. Há uma ironia no facto de que, em 2025, essas mesmas notas soem agora em um espaço público e cultural, entre jovens e adultos, num país livre onde a polícia política já não irá mais bater à porta. O canto, como um fio invisível, liga o passado ao presente, transformando a dor de outrora em celebração da liberdade.
Quando a noite avançar e os últimos acordes do “Grândola, Vila Morena” se dissiparem sobre o Tejo à meia-noite, ficará a sensação de que esta não foi apenas uma celebração, mas um ritual necessário. Uma memória de que algo de valor deve ser conquistado com esforço e luta. O Chapitô, sempre palco do irreverente, prova mais uma vez que a arte e o circo são fundamentais e necessários contra todo o tipo de opressão. O 25 de Abril, afinal, não é só uma data: é um dever irrestrito dos cidadãos do mundo a anunciar os valores de abril, que são um compromisso com a liberdade que deve ser perpetuado em cada coração e em cada voz.

Data: 24 de abril
Local: Tenda do Chapitô (Lisboa)  
Horário: A partir das 21h  
Informações: (+351) 21 885 55 50
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