King of Kings: Entrevista a Audiopath

Marcelo Magalhães

Ângelo Santos nasce em meados dos anos oitenta, no final dos noventa apaixona-se por mesas de mistura e pelas batidas electrónicas, mas é a partir de 2005, sob o disfarce Luxer Deluxe, que começa a animar as hostes com maior destaque e vê as suas produções editadas por labels nacionais e internacionais, com reconhecimento por parte de artistas como Richie Hawtin, Damon Wild, Deepchild, James Zabiela, Matt Starr, Gene Le Fosse ou Mijk van Dijk.

Anos corridos, apresenta-se agora como Audiopath: hoje, dia 18 de Fevereiro, o EP “King of Kings” será lançado pela promissora editora Circus Maximus e, apesar do techno estar para sempre presente no seu ADN, presenteia-nos com um disco de originais house com toques bem clássicos, que inclui ainda remisturas do francês Madji'k e dos lusos Infestus e Trikk.

Na primeira Sexta do mês de Fevereiro fui até ao Porto e conheci o artista por trás da criação. Dias depois, decidi falar com ele outra vez e aqui está o resultado materializado nesta entrevista!




PLAY: Audiopath - King of Kings (Original Mix) (Clip)

PLAY: Audiopath - King of Kings (Infestus Remix) (Clip)

PLAY: Audiopath - King of Kings (Trikk Acid Remix) (Clip)

PLAY: Audiopath - Candidate for Heaven (Original Mix) (Clip)

PLAY: Audiopath - Candidate for Heaven (Madji'k Remix) (Clip)

DOWNLOAD: Audiopath - Cruisin' (Free Download by XLR8)


Se gostaste do que ouviste, podes comprar o disco aqui.


Olá! Como vão as coisas pelo Norte?
Está tudo bem! Finalmente o sol tem brilhado mais um pouco!

Estavas ainda agora a ouvir um disco, até me pediste para ires desligar! Era o quê?
O “Panic EP” do Kerri Chandler.

És um assumido amante da música negra Americana, quando e como descobres os seus diversos estilos?
Ainda era miúdo, andava de skate e nos filmes de skate da altura existia uma forte presença do Funk, do Soul, do Rap e, claro, suscitou-me logo interesse, era diferente, tinham mais alma do que aquilo que normalmente um adolescente está habituado a ouvir, comecei então a ter preferência por esses estilos.

Tinhas que idade?
Tinha 12/13 anos, por ai.

“Mandaste” muitas quedas?
(Risos) Bastantes!

 




Já compravas música com essa idade?
Por volta da idade que referi anteriormente ainda não comprava música, ouvia os programas de rádio, os programas do José Marinho de hip-hop, existiam também uns quantos programas de música electrónica que transmitiam bastantes eventos em directo ou depois também em diferido com artistas nacionais e internacionais. Eu gravava com cassetes todos os programas que conseguia. Lembro-me também de uma rádio que ao escutá-la aprendi muito, era a inconfundível Voxx. Com ela apaixono-me mesmo a valer pela electrónica e isso fez com que a vontade de investigar mais a fundo as coisas aparecesse, então aí comecei primeiro a comprar CD's de dance, e Rap e outros mais! Depois quando comprei o meu primeiro setup de DJ é que comecei a comprar discos de vinil.

Quando é que compraste o teu setup e começaste a praticar?
Trabalhei o verão todo de 1998 para juntar dinheiro e comprar o primeiro equipamento, pratos e mesa de mistura e claro alguns discos.

E lembras-te dos primeiros discos que compraste?
Os primeiros discos foram o “User – 01”, “Mario J & Murat – The First Visit EP” e "Brixton – Gesellschafts Differenz”.

Como é que aprendeste a tocar?
Ouvia muitos set's das tais cassetes gravadas e, sozinho, fechado em casa, treinei muito a ouvi-los e a tentar perceber como é que as faixas entravam, como se equalizava e como se sincronizava batidas.

Porque que compraste o equipamento?
Achava fascinante a arte do deejaying e queria perceber como é que funcionava! Era uma coisa que me intrigava ao máximo.

Não tinhas a intenção de ser DJ?
Não, na altura não existiam essas “modas”.
Tinha era muita curiosidade, só isso.

E como é que começas a tocar?
Passados dois anos num espaço pequeno com pista de dança, comecei a tocar no Verão. Depois comecei a tocar no Inverno. Entretanto, começaram a convidar-me pontualmente e foi assim que surgiram as primeiras coisas.

Tu ficas conhecido pelo nome Luxer Deluxe, quando surge este nome? É nesta altura?
Não, mais tarde, por volta de 2005. Surgiu por brincadeira numa loja de discos, nem sei como o adoptei, mas olha, acabei mesmo por ficar mais conhecido por esse “moniker”. Ainda hoje em dia me pergunto qual o seu significado. (risos)

Que nome usavas antes?
O meu nome próprio, mas para ser sincero nem usava nenhum, de boca em boca o pessoal sabia que eu estava a passar música, não se faziam flyers ou cartazes, isso era irrelevante.

É então em 2005 que começas a tocar nas festas de techno?
Exactamente. Trabalhava numa loja de equipamento para DJ's e fui conhecendo malta ligada ao meio e, aconteceu, foi nessa altura que comecei a tocar nas festas de techno.





E depois, a produção?
Comecei a produzir muito antes de 2005. Primeiro de tudo existiu um contacto com o “Music” para a PlayStation, se é que isso se pode apelidar de produção. Passado uns tempos comecei a frequentar o estúdio de uns rappers e DJ's amigos e as primeiras ligações que tive com a produção foi a ver os mesmos a produzirem com uma Roland MC-505, um sampler da Boss e a sequenciarem tudo em Mad Tracker e Fast Tracker. Depois disso tudo, comecei a pensar mais no caso. Entretanto, comecei a brincar com o Rebirth, depois saíu o Reason, comecei a estudar e explorar os dois simultaneamente, ainda passei para o Reason 2 e 3 mas depois “agarrei-me” ao Ableton e ao Logic passados uns anos. Fui sempre fazendo isto de forma autodidacta, sem qualquer formação ou cursos, mas também acho que na altura nem existiam. 

Como caracterizas esses tempos em que começaste a tocar em eventos de techno? A cena no Porto está muito diferente?
As coisas evoluíram desde aí. Hoje em dia, a noite do Porto está muito mais viva, com muitos mais eventos, público mais diverso, tudo se transformou. E ainda bem!

Cheguei a ver uns vídeos teus em vários clubes internacionais! Recordas-te em particular de alguns acontecimentos invulgares nessas passagens?
Olha, recordo-me de muitos, mas vou falar de um em concreto. No jantar antes do gig, juntamente com um responsável do clube onde eu ia actuar, ele explicava-me que naquele espaço já tinham ficado à porta bastantes nomes celebres do mundo da moda e que o espaço em questão primava por receber apenas e só os verdadeiros amantes da música electrónica e que se estavam bem nas tintas se eram conhecidos ou não, gente para confundir o ambiente é que não podia ser! É claro que aqui em Portugal isso seria um bocado utópico na maioria dos clubes pelas mais diversas razões, mas a verdade é que ali os valores eram esses e o resultado, como depois tive oportunidade de confirmar, era fabuloso.

Chegaste a editar com esse teu antigo “disfarce” discos pela alemã Love Hertz e pela portuguesa Naked Lunch, e artistas como o Richie Hawtin tocaram as tuas produções! 

Sim! Aconteceu, ele tocou uma faixa que saiu numa compilação da Love Hertz. Mas não foi só ele, por acaso aconteceu com mais nomes da velha guarda do techno, como o Damon Wild por exemplo, com uma outra faixa.

Que software e hardware andas a usar?
Tenho andado a usar muito o Maschine integrado no Logic Pro 9 e no Ableton Live 8 também. Uso também um Clavia Nord Rack 2, um Novation X Station 61, um Launchpad da Novation e um Remote Zero SL também da Novation. Estes dois últimos são apenas meros controladores MIDI. Para além disso uso alguns VST's das mais variadas marcas. Os monitores de estúdio são uns Samson Resolv 6.5A Limited Edition.

Porque surge o Audiopath? Como o caracterizas, comparando com o teu antigo projecto?
Surge da vontade de fazer algo mais melódico, algo que fosse mais ligado às minhas influências primordiais. Comparando com o meu projecto anterior, este é mais funk, mais soulful, mais alegre, com menos barreiras na minha opinião, mais urbano e não tão mecânico enquanto produtor, e como DJ é a mesma coisa, mais abrangente do que nunca.

 



Vais editar agora pela Circus Maximus, uma label portuguesa que junta artistas como o Infestus, Rastronaut e Daino. Este EP marca a tua apresentação ao mundo da tua nova identidade?
Sem dúvida! Este EP demonstra o que quero fazer através desta nova identidade, embora no mesmo, tenha abraçado pouco daquilo que eu quero abraçar dos espectros com que mais me identifico. Também em apenas duas faixas é complicado. É claro que também não deixarei o techno de lado, irei desenvolver na mesma trabalhos dentro do género, penso eu, só que dentro de outros parâmetros. Afinal o techno foi o meu primeiro amor.

Já agora, quem fez a capa?
A capa foi feita pelos Tokyo O’Clock. Um colectivo de designers portugueses radicados em Barcelona.

Relativamente ao teu novo EP, o “King of Kings”, esperavas o feedback de artistas como Robert Owens, Mr. G ou mesmo do Orde Meikle dos Slam? E de nacionais, como foi o caso do Rui Vargas?
Nem pensar! Eu gosto do EP mas não esperava retorno de tantos nomes e nem dos nomes em questão!

Mas não fica por aqui, recordas-te de outras manifestações?
Sim, claro que me recordo! Também tive criticas positivas de Moodymanc, Lovebirds, Behling & Simpson, Dirtytwo, Mad Mats, Wil Maddams e muitos outros!
Os Portugueses também se manifestaram, como foi o caso do Rui Trintaeum, André Cascais, Ka§par e Voxels, são estes os que me lembro agora de momento. Depois surgiu bastante apoio da Violet no Ginga Beat da Red Bull Music Academy Radio (Antena 3), do Rui Estêvão no Antena 3 Purpurina, o próprio Rui Vargas passou a “King Of Kings” no seu “Música Com Pés e Cabeça”. Vários outros artistas também mostraram o EP no teu programa, o Cool In The Pool na Rádio Zero, a Isilda Sanches também começou agora recentemente a destacar o EP nos programas de dela. A XLR8R Mag fez um pequeno destaque ao EP e eu também ofereci uma faixa para download gratuito no site deles, a Dance Club mencionou o EP também. Enfim, agradeço a todos! 

Relativamente aos vocais, qual a origem!?
Os vocais da “King of Kings” são um excerto de uma entrevista ao já falecido Kase2, que de certa forma era uma inspiração para mim, apesar de não ser graffer. Foi uma forma que encontrei para conseguir fundir as minhas influências e de o homenagear. A “Candidate for Heaven”, é simplesmente um padre baptista a pregar aos seus crentes. Sempre gostei da maneira Soulful que estes pastores dão as suas palestras e resolvi fazer uma faixa com essa característica.





Já podes revelar se em breve vais editar algo e por que selo?
Surgiram convites, estou entusiasmado com o convite de uma editora de Berlin para lançar algo ainda este ano, embora nem sequer lhes tenha enviado nenhum demo.

Quanto a gigs, algo que já possas revelar?
Existem algumas pequenas coisas a serem discutidas no momento. Entretanto, estou no estúdio!

Obrigado pela entrevista, Ângelo! Até breve!
Obrigado eu, Marcelo! Até breve!

 


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