20:30 até às 22:20
Margem / Dança [inscrições]

Margem / Dança [inscrições]

OPEN CALL
Estão abertas as candidaturas para crianças que tenham interesse em integrar este espetáculo. Procuramos 8 rapazes com idades compreendidas entre os 7 e os 1O anos, com destreza física. Os selecionados integrarão um workshop em horário pós laboral.
Candidaturas abertas através do email ccmalaposta@gmail.com . Obrigatório o envio de fotografia de corpo inteiro e altura. Os selecionados serão contactados pela produção do espetáculo.

Boa sorte!

Margem tem como inspiração o romance de 1937 de Jorge Amado, “Capitães de Areia”, que retrata um grupo de crianças e adolescentes abandonados que vivem nas ruas de São Salvador da Baía, roubando para comer, e dormindo num trapiche – um armazém onde, como uma espécie de família, se protegem uns aos outros e sobrevivem a um dia de cada vez. 80 anos depois da publicação do livro, quisemos questionar quem são os novos capitães de areia, inspirando-nos na realidade social destas crianças, e conscientes de que nem sempre há finais felizes. Quem são estas pessoas que são colocadas à margem, e quando é que essa marginalização começa? Na casa de partida da vida, temos todos as mesmas hipóteses ou alguns partem para a luta já em défice? Há formas de quebrar isso? Quais? A sério? De certeza? Será realmente admirável o mundo novo que conseguimos construir com todos os nossos ideais de igualdade para todos? Numa ideia de teatro documental, e em colaboração com Joana Craveiro, este projeto é alicerçado num trabalho junto de jovens que foram privados do ensino, da alimentação, de carinho, de um pai, de uma mãe, jovens que cometeram crimes, jovens que partiram em défice ou que se viram em défice por razões que muitas vezes lhes são alheias. Jovens e crianças que, não obstante, continuam a lutar pela sua liberdade, e, nalguns casos, para inverter o tabuleiro do jogo – o tal onde, lado a lado, na casa de partida, já éramos diferentes uns dos outros, como uma fatalidade.

DAS RAÍZES E DAS MARGENS

«Falava Brecht de margens e nós socorremo-nos dessa mesma expressão. Usamos “margem” como quem usa uma metáfora do que é estar-se não no centro dos acontecimentos, mas na periferia deles, da vida. Neste espetáculo partimos de um livro para ir para além do livro; partimos de um livro como quem parte de um mapa, um guia para o caminho. Fizemo-nos perguntas sobre o que pode significar hoje esse livro – outrora banido na tal “noite” de que Jorge Amado fala (nós, por aqui, também tivemos uma outra noite de 48 anos, sabemos do que ele fala). Fizemo-nos perguntas sobre todas as vezes em que nós próprios nos colocamos nas margens ou nos colocam, e se o estar-se na margem é algo que nos acontece, ou com que nascemos, ou em que nos tornamos. Falamos aqui, claro, da possibilidade ou não da transformação das circunstâncias em que nascemos ou daquelas em que nos encontramos. E nós acreditamos, ainda acreditamos, na possibilidade dessa transformação. E no questionar de certas hegemonias, e desse olhar tão eurocêntrico que nos define, enquanto europeus e “descobridores do mundo” e que é também aqui questionado. Vale a pena perguntar que mundo foi este que tão orgulhosamente criámos ou ajudámos a criar – desigual, acima de tudo – e o que fazer com todos esses legados de dor e abandono. Margem trata de um encontro entre a linguagem coreográfica de Victor Hugo Pontes e de uma obra literária, que é também uma obra política; sobrepõe a isso encontros e entrevistas conduzidas com jovens institucionalizados e outros, no Instituto Profissional do Terço e no Centro de Educação e Desenvolvimento de Pina Manique – Casa Pia de Lisboa, numa tentativa de perceber universos de abandono e carência. Por fim, junta-lhe as memórias e experiências dos próprios intérpretes e do seu processo na construção deste espetáculo. E coloca-os face a uma banda sonora urbana, tribal, urgente, feroz por vezes, e que bebe de muitas raízes. Porque às margens dão muitas raízes – abandonadas, curvadas, secas (assim como muitas outras coisas que ninguém quer); porque das raízes e da falta delas se constroem tantas margens, tantos muros.»

Joana Craveiro

Direção VICTOR HUGO PONTES
Texto JOANA CRAVEIRO
Cenografia F. RIBEIRO
Música MARCO CASTRO e IGOR DOMINGUES (Throes + The Shine)
Direção técnica e desenho de luz WILMA MOUTINHO
Consultoria artística MADALENA ALFAIA
Interpretação ALEXANDRE TAVARES, DAVID S. COSTA, GONÇALO CABRAL (em substituição de André Cabral), HUGO FIDALGO, JOÃO NUNES MONTEIRO, JOSÉ SANTOS, MAGNUM SOARES, MARCO OLIVAL, MARCO TAVARES, NARA GONÇALVES, TIAGO FERREIRA (em substituição de Rui Pedro Silva) e VICENTE DE FREITAS MELO (em substituição de Vicente Campos)
Direção de Produção JOANA VENTURA
Produção Executiva MARIANA LOURENÇO
Parcerias CENTRO DE EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE PINA MANIQUE – CASA PIA DE LISBOA E INSTITUTO PROFISSIONAL DO TERÇO
Apoio à Residência CENTRO CULTURAL VILA FLOR
Coprodução NOME PRÓPRIO, CENTRO CULTURAL DE BELÉM – FÁBRICA DAS ARTES e TEATRO AVEIRENSE
Créditos fotográficos JOSÉ CALDEIRA, BRUNO SIMÃO e JOANA MAGALHÃES

Contacto: Centro Cultural Malaposta

Fonte: https://www.cm-odivelas.pt/conhecer-odivelas/agenda-municipal/todos-os-eventos/evento/margem-danca-inscricoes
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