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Bostofrio

Bostofrio

Bostofrio é uma pequena aldeia do concelho de Boticas. Não, não iremos falar acerca da exploração de lítio, da ganância das corporações, nem da ambição desmedida dos políticos ou da revolta das populações. Nem tão pouco vimos tecer elogios à posta mirandesa ou ao vinho transmontano. Há outros motivos para lembrar os que estão para lá do Marão.

“Bostofrio” é também o título do filme que Paulo Carneiro realizou e que percorreu diversas salas do país e do estrangeiro. Uma estreia comercial que o autor pensou nunca vir a ser possível, quer pela dimensão pessoal do projeto e a abordagem artística, quer pelos constrangimentos orçamentais. O percurso de “Bostofrio” pelo circuito de festivais, onde se apresentou como documentário e foi enormemente recebido, veio apaziguar os receios do realizador e provar que, também fora do ecrã, há histórias com final feliz, especialmente para os espectadores, que têm oportunidade de assistir a este filme.

Diz a sinopse curta que “numa aldeia remota chamada Bostofrio, um jovem cineasta quebra a lei do silêncio para descobrir a história do seu avô, através de uma série de entrevistas estranhas e engraçadas que revelam os segredos e meias verdades que são o tecido de um Portugal rural”.

Mas o “Bostofrio” de Paulo Carneiro é muito mais que um documentário acerca da demanda pela figura do homem que, sendo pai do pai do realizador, nunca o reconheceu publicamente. Marcas de uma época em que os segredos eram guardados coletivamente e a comunidade se regia por regras castradoras, mas aceitava os comportamentos libertinos, desde que ocorressem com discrição. É nesta dualidade, mais do que nas paisagens intermináveis em que a serra parece tocar o céu, que primeiro se reconhece o subtítulo de “Bostofrio”: où le ciel rejoint la terre. Assim mesmo em francês. É o conviver das convenções católicas com o egoísmo humano, no que se entende ser a vida dura do campo, no tempo da ditadura. Ou na frase de Teixeira de Pascoaes, que fecha o filme e de alguma forma o resume: “Deus e o demónio são incompatíveis em toda a parte, excepto em Portugal”.

Neste “Bostofrio”, que Carneiro dedica ao pai, há poesia e há cinema e há uma fotografia fantástica, assinada por Pedro Neves. Há, acima de tudo, o desejo de ser disruptivo, mesmo quando as opções do cineasta parecem conservadoras, como a de utilizar quase em exclusivo planos fixos. O próprio admite a intenção de provar que é possível fazer um filme de mais de uma hora, com estes planos e em que os diálogos e a paisagem são suficientes para o libertar do enfado. E o resultado é belo. Muito belo. E catártico, não só para o autor, que se torna protagonista, mas igualmente para o espectador, que não consegue ficar indiferente a esta forma comprometida e intensa de fazer cinema.

PRÉMIOS

IndieLisboa 2018 – Menção honrosa do júri Árvore da Vida
Filmes do Homem 2018 – Vencedor Melhor Documentário Português

CinEuphoria 2019 – Vencedor Melhor Documentário Português

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Fonte: https://www.teatrojlsilva.pt/evento/bostofrio/
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