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“Conversas sobre um projeto fotográfico' _Cinzento_ de Rui Apolinário

“Conversas sobre um projeto fotográfico" _Cinzento_ de Rui Apolinário

Na 3ª edição de “Conversas sobre um projeto fotográfico “apresentamos o projeto “Cinzento” de Rui Apolinário

Sinopse

21.600 metros quadrados é a área equivalente a dois campos de futebol. Foi o que me confidenciou o Sr. Faria, cicerone dedicado, enquanto me ia mostrando um labirinto de linhas de produção imensas, repletas de poderosas e austeras máquinas, fornos com fumarolas, cadinhos vulcânicos que vazavam ferro rubro em pequenos moldes de areia: o coração da fundição ocupava dois campos de futebol.
Numa parede encardida, à altura de uns 4 metros, destacava-se, numa placa metálica, a palavra “CINZENTO”. Local de armazenamento de peças em ferro fundido cinzento, explicou o Sr. Faria. Há outros tipos de ferro fundido, - com outras cores, imaginei eu – mas este é cinzento por causa da grafite que o compõe, acrescentou.

Depois desse momento, voltei à Oliva – Indústrias Metalúrgicas S.A., inúmeras vezes. É como estar na igreja do Bonfim e lembrar-se de ir ao Mira. É perto e a descer. Mas só dezoito anos depois daquela primeira visita é que parei de novo diante da palavra metálica “cinzento”. Na verdade, a cor cinza (mais escura ou mais clara), foi a única que restou derramada pelos 21.600 metros quadrados. No chão, um pó macio que tudo cobre e que, quando pisado, fica a pairar no espaço num silêncio também ele cinzento.
Cor? Sim. Até para filósofos. Cor da pós-modernidade para Jean François-Lyotard. Cor dominante dos três documentos (Petit Journal, Inventaire e Album) que versam sobre a exposição intitulada “Les Immatériaux” / “Os Imateriais” que teve lugar no Centro Georges Pompidou em 1985 e da qual o filósofo francês foi autor e curador.
De certo modo, neste projecto fotográfico, também se pode falar de imaterialidade. A imaterialidade aqui assumida é resultado, não apenas da ausência do que é ou foi material, mas de um esvaziamento funcional que desviou o sentido ou o significado de um lugar. Talvez um não-lugar, correndo-se o risco de extremar o conceito formulado por Marc Augé. Ou nem sequer isso. Apenas um solilóquio na presença da luz que resta, do espaço e do tempo.
rui apolinário, janeiro 2021

Participe nesta conversa na Plataforma ZOOM

https://zoom.us/j/95331914368?pwd=NndINjd5bnpsN044Q3RxOEhWa1BaUT09
ID da reunião: 953 3191 4368
Senha de acesso: 415910


Algumas notas biográficas

 Francisco Rui Apolinário Correia, natural de S. João da Madeira (1961).  Frequentou o atelier de fotografia no Centro de Arte de S. João da Madeira, 1988/1991, com o professor Aníbal Lemos, onde obteve formação nas áreas de processamento de películas fotográficas a preto e branco, diapositivos e impressão (química). Posteriormente experienciou vários “workshops” na área da impressão de imagens fotográficas a preto e branco, alguns dos quais tutelados pelo Centro Português de Fotografia, assim como no laboratório “La Chambre Noir”, em Paris, sob orientação de Guillaume Geneste. O seu trabalho fotográfico (analógico e digital) tem vindo a ser divulgado através de várias exposições individuais e colectivas.
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