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Documento do mês - BPARPD

Documento do mês - BPARPD

Findo o peculiar ano de 2020 e principiando o ano de 2021, ainda com a pandemia Covid-19 a assolar o mundo, consideramos que é oportuno a seleção para documento do mês da “Relação dos óbitos ocorridos no concelho da Ribeira Grande desde o primeiro caso de gripe”, no último trimestre do ano de 1918, que faz parte de uma pasta do arquivo do Governo Civil de Ponta Delgada intitulada “Epidemia”.

A documentação em causa refere-se ao período da pandemia de gripe pneumónica (vulgarmente conhecida como “gripe espanhola”), a qual apareceu na primavera de 1918, nos Estados Unidos da América, e disseminou-se pelo mundo com a deslocação das tropas americanas para combaterem ao lado dos Aliados na I Guerra Mundial.

Segundo Albertino José Ribeiro Monteiro, o vírus chegou ao arquipélago açoriano em setembro de 1918, através de um navio japonês que atracou no porto de Ponta Delgada, contendo 35 tripulantes infetados. Assim, não será de estranhar que a freguesia de São José tenha sido o ponto de onde erradicou a epidemia para o resto da ilha de São Miguel. A mortalidade nessa ilha atingiu o seu máximo em meados de outubro e novembro, sobretudo nas freguesias urbanas e suburbanas. No mês de dezembro, a epidemia começou a extinguir-se em alguns locais da ilha de São Miguel, permitindo o reencaminhamento para os distritos de Angra e Horta de um grupo de soldados da companhia de saúde que vinha prestar serviço de enfermagem a São Miguel.

No concelho da Ribeira Grande, podemos ver no documento do mês que o primeiro caso de gripe apareceu a 29 de setembro de 1918, na freguesia da Matriz. E, como afirma Sérgio Rezendes, no início de novembro, a epidemia alastrava-se com grande intensidade por esse concelho. As freguesias onde se registaram mais mortes causadas pela gripe foram: a Matriz, com um total de 94 mortes (37 destes indivíduos beneficiaram de assistência médica, mas os restantes 57 não beneficiaram); a Conceição, com um total de 24 mortes (15 indivíduos receberam assistência médica e os outros 9 não receberam); e a Lomba de São Pedro, com um total de 60 mortes (apenas 6 indivíduos receberam assistência médica, enquanto a esmagadora maioria não usufruiu de qualquer assistência).

Perante a situação da pandemia nos Açores, as autoridades somavam às suas preocupações com o tratamento dos doentes e o enterro dos mortos, a desinfeção dos edifícios requisitados para servir como hospital ou alojamento temporário, num claro combate à gripe pneumónica que assolava estas ilhas.

Fonte: http://www.culturacores.azores.gov.pt/agenda/default.aspx?id=36705
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