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O racismo matou de novo: Justiça por Bruno Candé

O racismo matou de novo: Justiça por Bruno Candé

Porque o racismo matou de novo, na sexta-feira, dia 31 de Julho, pelas 18H, estaremos na rua para para prestar homenagem ao Bruno Candé Marques, exigir justiça e combater o racismo.


O RACISMO MATOU DE NOVO
JUSTIÇA POR BRUNO CANDÉ

No dia 25 de julho, o ator Bruno Candé Marques, ator português negro, foi bárbara e premeditadamente assassinado, em plena luz do dia, com quatro tiros à queima-roupa, na principal rua de Moscavide. Bruno foi morto por ser negro, foi morto por viver num país racista, num país que tolera, relativiza e normaliza práticas racistas, quer interpessoais, quer estatais. 
Em menos de um ano o ator Bruno Candé e o estudante Luís Giovani foram mortos por racistas e Cláudia Simões foi barbaramente espancada. Estas mortes e agressões são consequência da cumplicidade das políticas de Estado, nos seus discursos coniventes, nas suas práticas de reiteração e na sua recusa de criar leis de combate efetivo ao racismo. O racismo matou de novo, neste ano em que passam precisamente 25 anos do assassinato de Alcino Monteiro, às mãos de neonazis.
Enquanto expressões como “preto/a vai para a tua terra” e “é preto/a, mas...” for discurso corrente, sem freio, nas trocas coloquiais, das ruas, às caixas de comentários e ao parlamento, o racismo matará. 
Enquanto o Estado fingir que Portugal é um país étnica e culturalmente homogéneo, que não vê cores e que não há discriminação em função da pertença étnico-racial, o racismo matará.
Enquanto políticas de segregação étnico-raciais persistirem como realidades inamovíveis e irremovíveis das práticas de instituições de Estado, o racismo matará. 
Enquanto não se descolonizar as narrativas, os imaginários e as políticas públicas de Estado com políticas de igualdade, a violência colonial, o racismo, matará. 
Enquanto não se fizer uma reflexão profunda sobre a forma como milhares de combatentes da Guerra Colonial e mais de meio milhão de portugueses que viviam nas ex-colónias portuguesas, voltaram para Portugal, depois das Independências dos Países Africanos, e se integraram na sociedade transversalmente, ocupando o espaço público e as instituições (escolas, universidades, polícias, hospitais, tribunais, serviços públicos e privados em geral, etc.) com a sua mentalidade racista e colonialista, não compreenderemos o que é o racismo estrutural da nossa sociedade e não poderemos, portanto, combate-lo.  
O racismo matou de novo. Mas por cada vida que o racismo violenta e ceifa, autodenuncia-se gerando um forte movimento que cresce todos os dias, juntando muitas outras vidas contra o racismo. Esta é uma contradição inultrapassável e um caminho sem retorno. 
Os media, as instituições do Estado, partidos políticos e restantes elites do país podem tentar branquear, esvaziar e desvirtuar cada caso que vem a lume, mas a farsa já não se sustem. Somos cada vez mais os/as que decidem não fechar os olhos e fazer o caminho que é preciso fazer para uma sociedade justa. 
Exigimos justiça por Bruno Candé e por todos e todas que foram assassinados/as e violentados/as pelo racismo estrutural. Exigimos que os filhos de Bruno Candé, agora órfãos de pai, tenham do Estado todo o apoio para que possam reconstruir as suas vidas sem privação que não seja a do seu pai.
Justiça por Bruno Candé.


Sexta-feira, 31 de Julho às 18H no Largo de São Domingos | Rossio | Por Bruno Candé | Contra o Racismo|
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