18:00 até às 19:30
Krake - Casa das Artes Bissaya Barreto (FSdC2020)

Krake - Casa das Artes Bissaya Barreto (FSdC2020)

3€
Bilhete 3€ 

Os encontros – entre pessoas, entre pessoas e lugares, ou entre pessoas em lugares concretos – geram energia. Energia emocional, psíquica, eléctrica até. Na música, a ideia da psicogeografia, tal como originalmente formulada por Guy Debord, tem um peso óbvio: “o estudo dos efeitos específicos de um ambiente geográfico, organizado de forma consciente ou nem por isso, nas emoções e no comportamento dos indivíduos”, de acordo com o autor de A Sociedade do Espectáculo.
Pedro Oliveira entende isso muito bem. Habituado a tocar com muita gente em muitos locais específicos, ele é a prova definitiva de como diferentes encontros produzem distintos resultados. O extenso currículo deste baterista traduz-se numa vasta discografia realizada em bandas e projectos como os peixe:avião, Green Machine, Dear Telephone e tantos outros. Mas Krake é uma entidade diferente.
O título deste álbum refere-se a um local especial, em Bristol, cidade com um notório perfil psicogeográfico, lugar de múltiplos encontros, de notórias disrupções, dos Pop Group de Mark Stewart aos Wil Bunch dos Massive Attack e daí até aos Portishead e mais além. Na ponte de Clifton, Pedro Oliveira não captou apenas as imagens que surgem tratadas na capa do álbum de Krake, mas também a energia de um local carregado de vibrações absolutamente singulares.
Com Jim Barr (baixista dos Get The Blessing que toca desde o início com os Portishead e que em tempos mais recentes tem assinado trabalho de sessão para gente como Perfume Genius ou Gruff Rhys e Thought Forms), Jake McMurchie (saxofonista, também de Get The Blessing ou do Ultrasound Contemporary Jazz Ensemble) e Pete Judge (trompetista, igualmente com responsabilidades em Get The Blessing e Ultrasound Contemporary Jazz Ensemble), Pedro Oliveira registou, nos J&J Studios de Bristol, um intenso encontro de descoberta mútua, de contaminação benigna pelo som, com cada um dos músicos a partir para lugar incerto a partir de um ponto de origem comum.
The Clifton Bridge Landscapes desenrola-se pois como a banda sonora de um encontro, num local específico, importante porque, admite Pedro Oliveira, Bristol foi a cidade que o inspirou a fazer música em meados dos anos 90. Só que a “viagem” realizada na companhia de Barr, McMurchie e Judge é feita de outra forma, de olhos vendados, sem mapa e sem orientação, com o som que cada um produz a ser a única forma de comunicação. E assim se ergue uma imagem espectral, de um local tão real quanto imaginado, onde os instrumentos podem ressoar sem limites, livres de condicionalismos estruturais, harmónicos, sedentos do que desconhecem, e por isso mesmo vibrantes.
The Clifton Bridge Landscapes de Krake tem edição do próprio Pedro Oliveira com apoio da Fundação GDA.
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