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10:00 até às 18:30
Audição de Intérpretes

Audição de Intérpretes

VISTAS
uma performance coreográfica 
com direcção e produção de
Carlos Manuel Oliveira

AUDIÇÃO 
22 e 23 de Dezembro de 2018
10h- 13h e 14h30 – 18h30
Estúdio d'O Rumo do Fumo
Travessa do Calado, 26b, Penha de França, Lisboa
Transportes: METRO Anjos ou Alameda / AUTOCARROS 706, 718, 730, 735, 742, 797

SELECÇÃO PRÉVIA
Enviar manifestação de interesse com biografia e uma selecção de trabalho próprio que articule um sentido crítico da prática coreográfica.
Até 12 de Dezembro para oliveira@forcesandforms.net
Notificação da selecção por email a 16 de Dezembro.

PERFIL (sugerido) 
Experiência de criação, interpretação e crítica de dança-coreografia-performance, a solo e em grupo. Conhecimento (incorporado) de ferramentas de treino psico-somático e de práticas de improvisação e composição coreográfica. Experiência de performance em proximidade física com o espectador. Interesse pelo minimalismo abstracto nas artes.

PERÍODO DE CRIAÇÃO (com apresentações públicas)
23 de Fevereiro a 05 de Maio 
(sujeito a alterações e com detalhes a comunicar na audição)

RESIDÊNCIAS E APRESENTAÇÔES
23 Milhas (ílhavo); Luzlinar (Feital e Fundão); COTÃO, Incubadora d'Artes e Teatro Municipal Sá da Bandeira (Santarém); Musibéria (Serpa).

SOBRE O TRABALHO (lato sensu)
Existe o espaço. Tenho por hábito criar situações em que as condições espaciais servem de condição explícita à percepção dos acontecimentos. Isto implica criar lugares a serem ocupados, por espectadores e performers. Lugares de possibilidades, que na sua multiplicidade implicam uma estrutura modular de situações e acontecimentos definida a priori, mas que nem por isso impede o evento performativo de acontecer através de imprevisibilidades previstas. A estrutura do espaço serve assim de estímulo à composição de uma experiência que, se tem por condição a assembleia de corpos na expectativa do evento, não deixa de ser singularmente individual por razão dos lugares que cada corpo vai ocupando em relação aos outros. Composição de possibilidades de relação espacial, estrutura aberta dentro de certos limites.
Existem os limites. Tenho por hábito trabalhar com proposições restritivas. Um determinado tempo limite para a duração do evento; um determinado espaço de trabalho e as suas condicionantes; um determinado número de espectadores e o espaço que a sua disposição (espacial e anímica) possibilita; um tema formal (um gesto, um objecto, uma matéria que se repete) que orienta a composição no tempo; a intersecção de uma série de temas para a emergência de nexos; a limitação das narrativas; a limitação das velocidades; a limitação do ruído; etc. 
Existe o corpo. Existem os corpos. Tenho por hábito trabalhar com o corpo colectivo enquanto matéria coreográfica. Com a estrutura do espaço e respectivos limites condicionam-se e organizam-se as possibilidades de ocupação e as movimentações dos corpos que as actualizam. Com a multiplicação dos focos de atenção dá- se a ser visto o interesse de cada um através das suas deslocações. O espectador é um possível actor para quem por ele nutra interesse e atenção. “Não dar a ver, mas dar a ser visto” (dizia o Paul Klee), espelhamento de forças. Ver e ser visto, espelhamento de formas. Este fundamento óptico do teatro clássico que aqui se desmultiplica por possibilidades previstas e imprevistas de corpos em deambulação por um espaço com estrutura. Um certo grau de anarquismo coreográfico, de autonomia do olhar. 
Existe àquem e além olho. Tenho por hábito insistir em práticas que não produzam acontecimentos cujo modo de recepção dependa de uma hegemonia da visualidade. Recorro habitualmente a práticas de dança que, na proximidade entre os corpos, produzem uma comoção afectiva. Isto requer sobretudo uma intensificação metabólica dos corpos, um processo cuja continuidade se expressa por frequências de vibração psico-somática. Ou qualquer outra operação que estimule a recepção da dança para além da visualidade, como a imersão dos corpos no escuro, ou a mediação dos corpos pelo som, ou ainda a coreografia do pensamento de quem apenas pode imaginar a dança. Não recuso a visualidade, mas importa activar de maneiras concretas, materiais, aquilo que habitualmente tem menos predominância na percepção nos corpos, de quem faz e de quem assiste. Acordar os sentidos sem qualquer metáfora.
Existe o paradoxo. Em parte porque, apesar do que acabei de escrever, também tenho por hábito trabalhar a linguagem enquanto matéria coreográfica. A palavra enquanto dispositivo de poder, o verbo enquanto vector de ordenação. “Tempo de dança, tempo de luto” (escreveu o Thoinot Arbeau no epígrafo do Orchésographie). E em parte porque, enquanto estrutura, o paradoxo impede a univocidade do sentido e implode a possibilidade de leituras e interpretações hegemónicas. É contra-poder, ao nível básico da produção de sentidos. Enquanto estrutura, o paradoxo abre a linguagem à preensão de um caos subjacente onde, ao invés de não haver qualquer sentido, há uma multiplicidade deles. E seja através da linguagem ou de qualquer outra expressão formal, o paradoxo serve assim de abertura ao pensamento. Mais do que nos pôr a pensar para resolver problemas, o paradoxo resolve problemas por simplesmente nos pôr a pensar, sem fim à vista. Sem fim e sem início, o paradoxo é o meio dos meios. “O que se move como um corpo retorna como um movimento de pensamento” (escreveu o José Gil). Com o paradoxo é ao contrário. 
Existe a prática. Todos estes hábitos só o são pela prática. Trabalhar não tanto com um fim à vista, espécie de atractor que organiza por transcendência futura as decisões do presente, mas por um meio que é o fim em si mesmo, e que é também cada dia que passa. Practicar, portanto, para a cada dia resolver os problemas que se colocam, em toda a sua potência e sem adiamentos.
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