Tal como se pensa uma ontologia da linguagem, é possível uma abordagem ontológica do fenómeno musical. Junta-se assim a concepção do Homem enquanto ser linguístico com outra que busca na Música uma compreensão mais profunda da existência. A meio caminho, admite-se a possibilidade de a língua materna influenciar a maneira de um indivíduo encarar o mundo e o modo de se expressar artisticamente. Para lá dos arquétipos nacionalistas e das especificidades próprias de cada cultura, é interessante notar padrões persistentes em estilos musicais de diferentes proveniências. A música dos compositores francófonos convida a essa abordagem. Apresenta frequentemente uma predisposição intimista, mesmo que dissimulada. Dá preferência a sonoridades delicadas, com reserva, plenas de bom-gosto e elegância. Mas também ostenta grande clareza no desenvolvimento das ideias e um humor refinado. Este programa permite-nos fazer o exercício de identificar um idioma musical comum entre obras de quatro compositores franceses cuja atividade coincidiu na primeira metade do século XX: D’Indy, Roussel, Françaix e Poulenc. Existirão traços característicos, à semelhança do que acontece na literatura francesa da mesma época? DIVERTIMENTOS DE PARIS | Solistas da Metropolitana V. D’Indy - Sarabande et Menuet, Op. 72 A. Roussel - Divertissement, Op. 6 J. Françaix - L’heure du berger F. Poulenc - Sexteto, FP 100 Janete Santos, flauta Sally Dean, oboé Nuno Silva, clarinete Lurdes Carneiro, fagote Jérôme Arnouf, trompa Anna Tomasik, piano #entradalivre [créditos da fotografia: (c) Joel Santos - www.joelsantos.net]
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