LEITURAS: Clara Caldeira Rúben Chama APRESENTAÇÃO: Miguel Martins |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||| [apresentação] Entrei na grande casa e caminhei por sobre as águas que pintavam os tectos de azul cobalto, animados de tritões, sereias e ouriços do mar. Pelos corredores davam às salas grumetes gibraltinos, corsários do Libano e cavaleiros malteses. O ponto de fuga apontado à escadaria do zimbório ferido nos flancos pela luz da foz e pelas sombras que vinham drapejar ali, tombadas do lado do castelo. Em cada sala frascos de linhaça e terebentina; restos de óleo em panos de linho tingidos de branco de zinco, sangue de boi e azul cerúleo. A sul a vista narcótica do estuário do Tejo, um pequeno Mediterrâneo a convocar o olvido das auríferas areias do fundo e da prata das conchas. Sobraram estes negativos sobre vidro e a maiêutica pulsão de lhes dar nomes almas e destinos: para os trazer de regresso à praia, iluminados da memória inteira do mundo. [Alexandre Sarrazola] Alexandre Sarrazola: Arqueólogo, escritor, poeta e dramaturgo, nasceu em Coimbra em 1970 e vive em Lisboa desde 1975. Publica regularmente ficção e poesia em antologias colectivas desde 2006 (Assírio e Alvim, Averno, Nova Delphi, Jornal Público, Língua Morta, Bíblia, Cão Celeste). É autor dos livros de poesia Thaumatrope (Averno, 2007), View-Master (Língua Morta, 2013) e de ficção Neófitos (com fotografias de Mafalda Capela; Averno, 2014), Um quarto na Pensão Beziehungswahn (em co-autoria com Mafalda Capela [fotografia]; Homem do Saco, 2014) e Kinderszenen (Companhia das Ilhas, 2015), assim como das novelas Smalloch (com ilustrações de Daniela Gomes, Cão Celeste, PW, 2013-2015) e Avercamp (com ilustrações de Daniela Gomes, Averno, no prelo). Enquanto dramaturgo colaborou com a RDP-Antena 2 em teatro radiofónico (Domingo), com a companhia Entrés de Jeux e com o Teatro Nacional de São João (Avercamp, 2015). Publicou as peças Domingo (edições moscaMorta, 2012), Retratinho de Guerra Junqueiro (edições moscaMorta, 2013). Trabalha regularmente com o teatromosca. Em 2014 adaptou para teatro O Som e a Fúria de William Faulkner (teatromosca), estreada nesse ano e em cena em 2015. Fade Out (única menção honrosa do Prémio Vasco Graça Moura da INCM) constitui o livro de fecho de uma trilogia escrita a mote de imagens cujos dois primeiros volumes correspondem a, respectivamente, Thaumatrope e View-Master. |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||| Companhia das Ilhas, editora livreira independente. Os nossos autores, os “géneros” e as colecções são escolhas de gosto pessoal. Articulam-se com a opção de editar “géneros” negligenciados por grande parte das editoras portuguesas – poesia, teatro, ensaio, conto. Os preços justos são uma opção política editorial, não um estratagema comercial (o que implicaria a subalternização de textos e de autores). Esta política agiliza a edição e passa ao lado das máquinas (demasiado) bem oleadas do mainstream. A Companhia das Ilhas é bem capaz de ser ilha: ilha movente que deita âncora aqui e ali: livrarias (reais e virtuais), formas várias de distribuição (mas atenta às perversidades do sistema e sempre pronta a zarpar para outras geografias).
A Viral usa cookies, ao navegares aceitas o seu uso. Sabe mais.Aceitar