19:00 até às 21:00
Ciclo de cinema: À escuta de Angola com Gita Cerveira ⟡ 2, 9, 16 e 23 Julho ⟡ ZDB

Ciclo de cinema: À escuta de Angola com Gita Cerveira ⟡ 2, 9, 16 e 23 Julho ⟡ ZDB

3€

Todas as sessões do ciclo decorrem às quintas-feiras, às 19h, na ZDB.
Entrada: 3€

À 𝒆𝒔𝒄𝒖𝒕𝒂 𝒅𝒆 𝑨𝒏𝒈𝒐𝒍𝒂 𝒄𝒐𝒎 𝑮𝒊𝒕𝒂 𝑪𝒆𝒓𝒗𝒆𝒊𝒓𝒂
— 𝐩𝐫𝐨𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚çã𝐨 𝐩𝐨𝐫 𝐒𝐨𝐟𝐢𝐚 𝐀𝐟𝐨𝐧𝐬𝐨 𝐋𝐨𝐩𝐞𝐬

O desaparecimento físico do mais internacional dos técnicos angolanos, Guita Cerveira, deixa um vazio impossível de colmatar na paisagem cinematográfica contemporânea. Sem perder de vista a dimensão transnacional do seu trabalho, o ciclo de cinema “À Escuta de Angola com Gita Cerveira”, programado por Sofia Afonso Lopes, propõe revisitar parte da filmografia realizada no e sobre o país que o viu nascer, evidenciando o seu percurso por várias fases produtivas do cinema nacional e um trabalho indelevelmente marcado pela mestria que – na captação, direção ou mistura de som – sempre soube imprimir às obras a que ajudou a dar forma.

Este ciclo conta com o apoio da Agência Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (ANICC) e da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

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𝟐 𝐉𝐮𝐥𝐡𝐨: 𝑪𝒂𝒏𝒕𝒂 𝑨𝒏𝒈𝒐𝒍𝒂
Canta Angola (2000) de Ariel de Bigault
(Doc., 59′)
A sessão será seguida de uma conversa com a realizadora.

Rodado em Luanda em Janeiro de 2000, num momento em que o país se encontra ainda mergulhado no conflito civil que se arrasta desde 1975, Canta Angola regista a efervescente cena musical da capital para onde havia convergido cerca de um terço da população do território, em fuga da guerra ou na busca de novas oportunidades. Alternando entre gravações de ensaios ou concertos e entrevistas, o filme introduz o espectador ao universo musical de Angola através de alguns dos seus mais ilustres compositores e intérpretes. Do virtuosismo do guitarrista Carlitos Vieira Dias às grandes vozes do semba como Carlos Burity e Paulo Flores, sem esquecer ainda a rebita de feição mais tradicional d’ Os Novatos da Ilha ou as recriações do nhatcho e da kilapanga operadas pelos Irmãos Kafala, o documentário de Ariel de Bigault oferece à vista um retrato poliédrico da música angolana contemporânea e da sua permanente reinvenção.
(Sofia Afonso Lopes)

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𝟗 𝐉𝐮𝐥𝐡𝐨: 𝑪𝒂𝒓𝒏𝒂𝒗𝒂𝒍 𝒅𝒂 𝑽𝒊𝒕ó𝒓𝒊𝒂
Carnaval da Vitória (1978) de António Ole
(Doc., 39′)
Exibição a partir de cópia conservada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.

A sessão será seguida de uma conversa com Ana Paula Tavares, poeta e historiadora angolana.

O filme abre com a leitura do poema “Havemos de voltar” de Agostinho Neto, à qual se segue um discurso do então presidente de Angola em que este anuncia a realização dos primeiros festejos carnavalescos pós-independência. Perante uma multidão expectante – mulheres e homens, velhos e crianças, muitos deles envergando bandeiras e outras insígnias do MPLA – remata: “Não o Carnaval dos tugas que era só bailes; vamos fazer o Carnaval na rua como fazíamos antigamente!”
Oscilando entre os preparativos da celebração (a pintura do casco de um navio, a confeção de vestes e outros adereços), os ensaios de grupos como a União Kabetula do Morro Bento (que, após a independência, alterou o nome de modo a explicitar a sua adesão ao socialismo) e os desfiles que tomaram lugar no dia 27 de Março de 1978 (data escolhida pelo governo angolano com o intuito de assinalar a derrota sofrida, dois anos antes, pelas tropas sul-africanas às mãos do seu exército), Carnaval da Vitória de António Ole costura, com rara sensibilidade, o olhar do cineasta e do artista plástico, ambos atentos às cores, aos materiais e aos gestos que dão forma à festa popular.
(Sofia Afonso Lopes)

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𝟏𝟔 𝐉𝐮𝐥𝐡𝐨: 𝑶𝒇í𝒄𝒊𝒐𝒔 / 𝑴𝒂𝒌𝒖𝒎𝒖𝒌𝒂𝒔
Ofícios (1979) e Makumukas (1979) de Ruy Duarte de Carvalho
(Doc., 29′ e Doc., 27′, respetivamente)

A sessão será seguida de uma conversa com Rute Magalhães, fotógrafa que acompanhou a rodagem dos filmes e que irá apresentar uma seleção de imagens produzidas nesse contexto.
Filmados na Chibia, em Junho de 1977, Ofícios (1979) e Makumukas (1979) integram a série Presente Angolano, Tempo Mumuíla (1979), composta por dez documentários.
Conforme preconizado pelo título, Ofícios retrata o exercício das funções especializadas na sociedade ovamwhila – oleira, ferreiro, kimbanda e cabeleireira –, cuja aquisição só se torna possível mediante a intervenção de um espírito «linhageiro», isto é, pertencente a um/a familiar falecido/a.
Rodado ao longo de oito horas consecutivas, Makumukas regista o rito de iniciação de uma mulher no culto de um espírito «estrangeiro» à comunidade, neste caso, o de um mukubal pertencente ao grupo vizinho dos ovaherero.
Não obstante o recurso à antropologia – disciplina da qual faz uso para devidamente fixar, tratar e valorizar elementos pertencentes a um quadro sociocultural distinto do seu –, Carvalho sempre se mostrou contrário à classificação destes materiais como etnográficos: “É cinema-documentário sobre a vida comum de concidadãos meus. É gente que vive num contexto e foi assim que foi filmado”. Produzidos numa altura em que o realizador volta a sua atenção para o Sul do país e para as populações que habitam o planalto da Huíla, estes filmes atestam a vitalidade do seu projeto visual e político que, desde o começo, descentrou o seu olhar sobre a nação, investindo em modos de cinema que se fazem nas margens.
(Sofia Afonso Lopes)

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𝟐𝟑 𝐉𝐮𝐥𝐡𝐨: 𝑶 𝑮𝒓𝒂𝒏𝒅𝒆 𝑲𝒊𝒍𝒂𝒑𝒚
O Grande Kilapy (2012) de Zezé Gamboa
(Fic., 97′)
A sessão será seguida de uma conversa com o realizador.

Com argumento de Luís Carlos Patraquim e inspirada numa personagem real, a segunda longa-metragem ficcional de Zezé Gamboa acompanha as aventuras e desventuras de Joãozinho das Garotas. Filho de um funcionário do Banco de Angola, Joãozinho chega a Lisboa nos anos sessenta para frequentar o Instituto Superior Técnico. Os estudos dão prontamente lugar à boémia, ao basquetebol no Sporting e aos muitos casos amorosos, um deles com a filha de um ministro português. Mais tarde, o seu envolvimento na fuga para o exílio de um dos seus amigos e subsequente interrogatório pela PIDE, precipitam o seu regresso a Angola. É em Luanda, onde arranja um trabalho nas Finanças, que vai dar um golpe (kilapy em kimbundo) no Estado português. Oscilando entre a comédia dramática, a sátira política e o “con-movie”, O Grande Kilapy propõe um roteiro inesperado pelos últimos anos do colonialismo português. Um filme sui generis – no melhor sentido da expressão – na história da cinematografia angolana.
(Sofia Afonso Lopes)

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Toda a informação em http://zedosbois.org/

Recomendamos que confirme toda a informação junto do promotor oficial deste evento. Por favor contacte-nos se detectar que existe alguma informação incorrecta.
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