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3 contra 2: Psico Trópicos
Os ritmos de 3 contra 2 são uma polirritmia muito presente na música afro-brasileira e na música eletrônica. No discurso feminista, a noção de polirritmia é usada para visualizar o ritmo de grupos tradicionalmente ignorados e para desafiar as histórias que foram escritas do ponto de vista de um ritmo que se fez dominante. 3 contra 2: Psico Trópicos, criação recente da Improvável Produções, toma emprestado da música a noção de polirritmia - a justaposição de ritmos - para pensar-praticar a convivência de forma não separatista, permitindo assim que ritmos diferentes soem juntos e produzam outros acordes. Segundo o pensador indígena Ailton Krenak, a floresta tropical é teia de vidas entrelaçadas. Na floresta os caminhos são curvos. Há sombras, há as plantas que matam e as que curam, as rasteiras e as frondosas. A floresta balança, é cheia de meandros, desníveis, sons, muitos sons. A Floresta delira, sob a terra as raízes tramam, perfuram e enredam seus braços que crescem para baixo, para cima e para os lados. A floresta tropical sussurra mitos, pulsa e expulsa rumores e miragens: Psico Trópicos. A floresta é trama, é polirritmia. 3 contra 2: Psico Trópicos é um exercício de imaginação que busca entrelaçar distâncias. A peça é tecida entre três performers como uma rede onde linhas em tensão e distorções temporais contornam espaços vazios, intervalos, suspensões, pausas, espaços de ressonância de uma narrativa não linear que busca aproximar geometria e psicodelia. O estilo Old way do movimento Vogue é caracterizado pela formação de linhas, simetria e precisão e é inspirado nos hieróglifos egípcios. L’Après-midi d’un faune, a primeira coreografia de Nijinsky foi inspirada nos movimentos de frisos gregos, afrescos egípcios e assírios. Em ambos, Old Way e L’Après-midi d’un faune, o erótico está fortemente presente. E se o Fauno, entidade híbrida e encantada das florestas, dos mitos e do balé de Nijinsky, se cruzar com a geometria Queer do estilo Old way do movimento Vogue e com rotações e serpenteios inspirados em Oxumaré, orixá feminino e masculino que se move entre o céu e a terra?
Conceção e direção Marcela Levi & Lucía Russo
Performance e cocriação Lucas Fonseca (Legendary 007), Martim Gueller e Romec
Texto Joana Levi
Assistência Lucas Fonseca
Preparação corporal Lucas Fonseca, Lucía Russo e Marcela Levi Direção
Direção técnica e Desenho de luz Laura Salerno
Desenho de som Levi, Russo e Gueller
Figurino Levi & Russo
Técnico de som Luciano Siqueira
Produção Improvável Produções
Coprodução Julidans, CCN de Caen en Normandie dans le cadre de l’Accueil-studio, Sítio Canto da Sabiá e Something Great
Apoio Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro/Secretaria Municipal de Cultura, O Rumo do Fumo e Retomada Cultural RJ 2/ Estado do Rio de Janeiro/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa
7,50 euros
50% para Estudante/Jovem, Maiores de 64 e Amigos de Serralves
Classificação etária
16+
A peça contém nudez integral.
Fonte: https://www.serralves.pt/atividades-serralves/1705-3-contra-2-psico-tropicos/
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