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EscutArte: Páscoa - um diálogo entre a música e o tempo com Alfredo Teixeira

EscutArte: Páscoa - um diálogo entre a música e o tempo com Alfredo Teixeira

EscutArte: Páscoa - um diálogo entre a música e o tempo com Alfredo Teixeira, no dia 28 de março, às 17h, no Convento de São Pedro de Alcântara. Evento inserido no Ciclo Habitar o Tempo.

Uma iniciativa Égide, com o apoio da SCML.
Mais informações em http://egideartes.pt/

Páscoa é o coração do tempo nas tradições cristãs e também uma poderosa fonte de criação musical. Este ateliê propõe uma escuta comentada da música que rememora a Paixão — da polivocalidade dos evangeliários medievais às grandes obras barrocas e às recriações do século XX. Uma peregrinação sonora que revela como, por meio da música, as narrativas da Paixão continuam a dialogar com a memória e as feridas do nosso tempo.
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No quadro da diversidade religiosa da humanidade, o cristianismo apresenta-se como uma tradição em que o tempo pesa mais do que o lugar: no seu centro está a história de salvação de um Deus que estabelece uma aliança com a humanidade. Diferenciando-se das religiões de matriz cósmica, nas quais a salvação se joga principalmente na experiência do cosmos, o cristianismo organiza sua memória em torno de “acontecimentos”, razão pela qual o seu calendário litúrgico articula de forma particular “tempos” e “eventos”. O núcleo dessa memória é a celebração da “nova” Páscoa — testemunhada pela centralidade das narrativas da paixão, morte e ressurreição nos Evangelhos —, a partir da qual se elaborou uma prática de rememoração que, progressivamente, passou a integrar outros mistérios cristãos, como o Natal. Nesse processo de expansão, também o cristianismo se “cosmicizou”.

Os grandes ciclos litúrgicos cruzam-se historicamente com os calendários de cultos cósmicos pré-cristãos, enraizando a celebração do tempo numa determinada forma de habitar o espaço.

Nos evangeliários do século IX, encontramos o rasto de uma certa polivocalidade na entoação das narrativas da paixão em contexto litúrgico. Nesses evangeliários, encontramos sinais alfabéticos que distribuem as diversas vozes da narrativa da Paixão, com indicações que remetem para uma prática musical. Grande parte das obras que compõem o amplo arquivo da música vinculada à narrativa da Paixão remonta ao período barroco. Mas o século XX pode ser apresentado como o século do regresso da Paixão como forma musical, particularmente depois da I Guerra Mundial.

De algum modo, podemos recompor uma história do século XX a partir das criações musicais sobre as narrativas da Paixão. Se realizarmos alguns “cortes” no curso da história contemporânea da Paixão, desvendam-se as feridas da nossa contemporaneidade e descobre-se uma trajetória de valorização da dimensão universal destas narrativas cristãs.

Recomendamos que confirme toda a informação junto do promotor oficial deste evento. Por favor contacte-nos se detectar que existe alguma informação incorrecta.
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