Num tempo em que o consumo musical é mais imediato do que nunca, Bby Eco afirma-se como um artista em constante fluxo. Entre faixas, EPs ou reconfigurações de obras de outros artistas, a sua presença ramifica-se em múltiplas formas. Do sonoro ao visual, entrelaça estas abordagens numa fusão tão orgânica quanto libertadora. Se, por vezes, faz da ambiguidade um trunfo, permanece evidente a energia que tudo move. Partindo de um lugar de experiência vivencial e de universos imaginados, o produtor Joris Benjamins procura o carácter transformativo das coisas — do micro ao macro, da emotividade pop à mutação ambiental. Talvez, no fundo, se trate de encontrar sentido entre diferentes naturezas.
Embora o seu trabalho se exprima pelas infinitas possibilidades do digital, nunca deixa de partir de um coração terrestre: a fauna, a flora e uma curiosidade humana permanente. Música orgânica que se sente viva — e que transmite vida. Na senda da hiper-realidade pop dos Visible Cloaks, da entrega confessional de Claire Rousay ou das eco-jams de James Ferraro, Benjamins transforma aquilo que poderia ser new age em now-age. Vem apresentar Sky (i), novíssima constelação neste 2026 ainda a despertar.
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Mais urbanos do que o coanfitrião da noite, a dupla londrina não deixa, ainda assim, de partilhar um desejo comum de imersão sonora. Delicadamente texturais e melódicos, praticam canções sensoriais para uma era de esgotamento. Onde outros procurariam recantos e meia-luz, os Yawning Portal permitem-se receber brisa e brilho.
Exploram sem rumo definido, reunindo, contudo, os encontros e as surpresas ao longo do percurso. De resto, foi assim que o último disco, Anywhere, foi projetado para o mundo material: viagens de carro por estradas secundárias, sem GPS a comandar o exercício de liberdade — ao sabor do acaso. Um canal de absorção de imagens, sons e memórias, moldando uma espécie de stream of consciousness latente. Trata-se de um álbum maior numa história que contou ainda com a participação de innerinnerlife e Oli XL. Se dúvidas houvesse quanto às suas propriedades sinestésicas, a artista Lydia Ourahmane convidou-os a compor para o filme conceptual Tassili, revelando uma experiência audiovisual intensa e penetrante. Paralelamente, Jess Mai Walker e Joseph Ware têm mantido, há já algum tempo, uma regularidade assinalável nas frequências da plataforma NTS.
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Fonte: https://zedosbois.org/programa/zdb-x-colectivo-casa-amarela-jejum-38/