Museu de Lamas
Largo da Igreja, 90 Parque de Santa Maria de Lamas - Santa Maria de Lamas Ver website
“… 20 ANOS DEPOIS” de Pereira Lopes
+ Diariamente até 31 de janeiro de 2026
+ Horário: 09h30-12h30/14h-17h30 (última entrada até às 17h)
+ Público-alvo: Geral
+ Ingresso: 4€ adulto, 3€ estudantes e seniores.
+ Informações: 22 744 74 68 ou geral@museudelamas.pt.
Seguindo o destino das Minas de São Pedro da Cova, da Companhia de Carvões do Cabo Mondego ou das Minas de Lenhite de Rio Maior, as Minas do Pejão viram os seus portões fecharem-se nos últimos dias de 1994. Ao longo de 108 anos de atividade contínua, esta foi a mais importante exploração de carvão da chamada Bacia Carbonífera do Douro, assumindo-se como a principal referência identitária, não só do concelho de Castelo de Paiva, mas de toda a região. Ditado pela lógica da concorrência, assente em critérios economicistas e sustentado pela insensibilidade do Governo de Aníbal Cavaco Silva, o encerramento das Minas foi dramático, lançando centenas de pessoas no desemprego, numa zona deprimida, que vivia à custa da mina e onde não havia mais nada. Vinte anos volvidos sobre o fecho das minas, o fotógrafo avintense Pereira Lopes embarcou num projeto pessoal de recuperação de estórias e memórias, ao encontro da “família do Pejão”. Foram dez meses de preparação, aos quais se juntaram outros tantos de trabalho de campo, daí resultando “O Pejão… 20 Anos Depois”, conjunto de belíssimas fotografias a preto e branco, acompanhadas da edição do livro “... 20 Anos Depois”, e que estiveram na origem de uma exposição inaugurada nas instalações do Centro de Interpretação da Cultura Local, em Castelo de Paiva, em outubro de 2015. Em itinerância, a exposição passou, entretanto, por Avintes, Aveiro, Lourosa, Vila do Conde, Leiria, S. Pedro da Cova, Ribeira Grande (S. Miguel / Açores), Vilagarcia de Arosa e Corunha em Espanha e Florianópolis no Brasil. São 20 os retratos que podem ser apreciados nesta mostra, não apenas daqueles que trabalharam no fundo da Mina, mas também de outros que a ela estão indelevelmente ligados, que são fruto da sua estrutura sociocultural e para quem hoje o legado mineiro tem um valor, sobretudo, enquanto memória colectiva. Olhar nos olhos o "Bloca", o "Chasco", o "Político", a "Deolinda do Aido", a "Emília da Gusta", o "Casoto", o "Manel 29" ou o "Pissalho", é ler em cada um deles o desencontro de sentimentos temperados pela dureza da vida e do trabalho, com jornadas de oito horas e meia por dia, todos os dias, todos os meses e todos os anos no inferno, a mais de 400 metros de profundidade, os pulmões carregados de sílica, a morte sempre à espreita. É “ver caras e ver corações”, a incompreensão e a revolta apaziguadas, mas latentes, a resignação de quem sabe que Lisboa fica tão longe. É mergulhar numa realidade que se vai repetindo de forma cíclica e nos remete para o pesadelo recente da austeridade em nome do défice, as ondas de choque a fazerem-se sentir ainda hoje, tão pouco desvanecidas por uma “geringonça” que não passa disso mesmo. Daqui a 20 anos, alguém se lembrará de fotografar os sobreviventes da troika e verá nos mesmos rostos, na mesma raiva e na mesma aceitação, o Pejão de sempre. Até lá temos Pereira Lopes e o seu olhar sensível e profundamente humano.
Parceria iNstantes Associação Cultural
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