Isto é um Hitler genuíno de Marius Von Mayenburg, em estreia
3 e 4 de Outubro, sexta-feira e sábado
Encenação de João Cardoso
Coprodução - Assédio Teatro, Casa das Artes de Famalicão, Teatro Nacional São João e FITEIM/12
Duração: 90 mUm quadro aparece do nada quando uma irmã e um irmão esvaziam a casa do pai recentemente falecido. O quadro está assinado: A ponto Hitler.
Nacthland, "terra nocturna" ou ""sombria" — título aqui “traduzido” para “Isto é um Hitler genuíno” — é a mais recente (2022) obra de Marius von Mayenburg. Nela consegue este autor alemão de ascendência judaica congregar, à volta de um quadro supostamente pintado pelo Führer antes deste o ser, muitos dos traumas da sociedade contemporânea alemã: que lugar dedicar ao passado criminoso da nação, como falar dele, discuti-lo, reenquadrá-lo, como relacioná-lo com o presente. Consegue, também, suscitar uma complexa e soturna, mas muitas vezes hilariante, discussão sobre a arte, o seu valor, a sua neutralidade (ou não) face ao contexto em que é criada, a sua mácula ou pureza quando contrastada com a biografia de quem a trouxe ao mundo. Cruzando todas estas questões com as divididíssimas opiniões dos membros da família acerca do destino a dar aquele quadro (ficar com ele; vendê-lo e ficar com o dinheiro; vendê-lo e doar o dinheiro; pura e simplesmente incinerá-lo…), o que Nachtland faz, com suprema mestria intelectual, teatral e linguística, é enfrentar destemidamente tudo o que é melindroso, tudo o que está mal resolvido, os campos minados onde a sociedade joga o seu sentido de história, pertença, política e moral. Ao fazê-lo, o que Nachtland nos pede é disponibilidade e coragem para testemunhar a discussão que propõe, os complicadíssimos preconceitos que a regem e, talvez, a impossibilidade de um desfecho “aceitável”.Texto: Marius Von Mayenburg
Tradução: Francisco Luís Parreira
Encenação: João Cardoso
Assistência de encenação: Pedro Galiza
Interpretação: Daniel Silva, Gracinda Nave, Inês Simões Pereira, Joana Africano, Pedro Galiza, Pedro Quiroga Cardoso e Teresa Arcanjo
Cenografia, figurinos e identidade gráfica: Sissa Afonso
Desenho de luz: Nuno Meira
Assistência e operação de luz: Pedro Correia
Sonoplastia, desenho e operação de som: Francisco Leal
Vídeo: Nuno Leites
Produção executiva: Inês Simões Pereira
Apoio à comunicação: Daniel Silva e Inês Simões Pereira
Fotografias de divulgação: Inês Afonso Cardoso e Sissa Afonso
Produção: Assédio Teatro
Co-produção: Casa das Artes de Famalicão, Teatro Nacional São João e FITEI
Acolhimento: Teatro Municipal de Bragança
Apoio: República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes