Assinalamos 50 anos de democracia num momento particularmente desafiante. A instabilidade internacional, o ritmo e extensão das crises económicas e energéticas, as consequências inevitáveis das alterações climáticas, o desequilíbrio demográfico com significativos impactes económicos e sociais, e os recorrentes sinais de questionamento da cultura e dos sistemas democráticos, vêm colocar questões vitais sobre Portugal e o seu futuro. Questões que também são levantadas pelo novo ciclo de políticas europeias, pós-2027, nomeadamente na agenda da coesão que tem sido muito importante para o desenvolvimento de Portugal nas últimas décadas. Este é um tempo de urgências que requer olhares novos.
A Fundação da Casa de Mateus acompanhou estas cinco décadas de democracia com uma série de iniciativas a que chamou “Repensar Portugal”. Espaço de abertura de horizontes e momento de fecundo debate, que no final da década de 1970 se centrou sobre o futuro do Portugal democrático, regressa agora marcado por novas urgências. Ao afirmar a importância da territorialização das políticas públicas, enquanto mote para este encontro, reconhece-se também o legado desta iniciativa e da Fundação. Procurará, desta forma, homenagear o seu impulsionador, D. Fernando de Albuquerque, construir memória e reconhecer o percurso de reflexão que estes seminários foram fazendo ao longo das últimas décadas, e identificar novas avenidas de pensamento sobre o futuro de Portugal.