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Laila Sakini ⟡ Maria Reis & Rudi Brito

Laila Sakini ⟡ Maria Reis & Rudi Brito

Aparição pouco aparatosa mas marcante da forma que só as coisas mais íntimas conseguem, Vivienne surgiu mesmo ao estalar da globalização da pandemia para discretamente ser celebrado como um dos acontecimentos desse ano em várias publicações e corações. E com a calma que um disco dessa natureza pede. Álbum de estreia desta artista australiana a residir em Londres, Vivienne sentiu o pulso a essa cidade de um modo tão pessoal na entrega como universal na empatia, a ressoar com recursos muito DIY uma série de linhagens que em sonho tanto podem ser pop quanto música de câmara, jazz espiritual ou beat narcótico. E se a “pobreza” de meios de ‘Vivienne’, feito de pouco ou nada mais do que piano, voz e efeitos podia remeter para o paisagismo electro-acústico, ao projectarmos Sakini nos chemtrails do shoegaze, onde a suspensão da Trellisaze de Slowdive se sente em Grouper, escapamos à buzzword pós-covid em que se tornou o ambient. Ou seja, enquanto música de interiores e arrancado o funcionalismo ao papel de parede, esta surge carregada de vivências feitas memória, de canções descarnadas aos seus elementos mais vitais e íntimos. Já este ano, a reedição em vinil de Into the Traffic, Under the Moonlight – imaginada como um encore para Vivienne – e Blip in the Bungalow como que abrem a janela para deixar entrar o meio circundante, expandido o arsenal para violoncelo, sopros, mais samplagem e batida, a calcar as ruas naquele estado de hipnose lisérgica que tornou o trip hop algumas vezes interessante e que tem ressurgido com premência recentemente através de gente como Jonine (HTRK), muito em consonância com este último ano e meio. A sua entrada na série Documenting Sound da Boomkat – Strada – é reflexo disso mesmo, tocando, como poucas, no âmago emocional que se oculta sob a cortina de incerteza destes tempos. BS

Maria Reis (Pega Monstro, Cafetra) e Rudi Brito (Yong Yong, Luar Domatrix) juntaram-se pela primeira em 2019 para uma performance na exposição de pintura do Rudi Voz de Cal na Spirit Shop em Lisboa. Agora, dois anos depois, os dois amigos e recém vizinhos mostram o resultado de encontros à tarde na presença da gata, do som do mistério, na beleza do tempo a passar. União natural de ouvidos irmãos, a importante experiência da contemplação.

Fonte: https://zedosbois.org/programa/laila-sakini-%e2%9f%a1-maria-reis-rudi-brito/
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