19:00 até às 19:00
Exposição “Leitura do Mangue” de Filipa César e Sónia Vaz Borges patente no Porto

Exposição “Leitura do Mangue” de Filipa César e Sónia Vaz Borges patente no Porto

“Leitura do Mangue” é o título da nova exposição das realizadoras Filipa César e Sónia Vaz Borges, com curadoria dos professores Daniel Ribas e Nuno Crespo, que estará patente na sala de Exposições da Escola das Artes da Universidade Católica no Porto. A abertura da exposição está agendada para as 19h do dia 6 de julho e estará patente até 8 de outubro. 

A exposição retrata a viagem das duas realizadoras até à Guiné-Bissau, que tinha como principal propósito ficar a conhecer as condições dos alunos nas escolas guerrilheiras dos manguezais. Em vez disso, as duas tornaram-se elas próprias nas alunas de uma das escolas e a exposição retrata as suas experiências e aprendizagens ao longo desse período. A abordagem para a exposição parte de uma investigação aprofundada sobre o sistema educacional militante desenvolvido pelo partido africano para a Independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde (PAIGC) durante o processo de libertação, uma luta armada que teve a duração de 11 anos (1963-74) contra a ocupação colonial portuguesa e um interesse recorrente no imaginário do tarafe - palavra crioula para mangue. O mangue é uma arquitetura natural aérea, onde a memória ainda flutua pelas suas redes de raízes e o sopro das marés oxigena um saber de resistência em condição de resistência para o saber. Aqui, entramos num imaginário do enredamento de várias dimensões convergentes: a epistemologia do rizoma, os conceitos de educação militante e política, os ensinamentos dos habitantes da comunidade Malafo, os arquivos nómadas e as noções agronómicas / botânicas da engenharia dos manguezais. 

Segundo Filipa César e Sónia Vaz Borges, “Leitura do Mangue é um mapa de conversação e uma jornada cinematográfica resultante de um esforço coletivo em falar sobre a natureza do rizoma e sua resiliência. A escola dos manguezais não é uma metáfora para uma teoria da resistência, mas sim o próprio organismo materialista de partilha e produção de conhecimento que evoluiu de uma luta anticolonial e que toma o próprio ecossistema de mangue como um lugar de luta permanente - enraizamento vs desprendimento de raízes, aprendizagem vs desaprendizagem. A condição agropoética militante é uma realidade latente”.

A exposição “Leitura do Mangue”, que estará patente na Escola das Artes da Universidade Católica no Porto, tem o apoio da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes, da Fundação Calouste Gulbenkian, da Haus der Kulturen der Welt, do Harun Farocki Institute, da "la Caixa" Foundation, e da Câmara Municipal do Porto (Programa de Apoio à Programação Artística CRIATÓRIO).

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