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“O Livro da Maia”, Exposição fotográfica de Alfredo Cunha

“O Livro da Maia”, Exposição fotográfica de Alfredo Cunha

26 de junho a 22 de agosto
Galerias do Fórum da Maia
“O Livro da Maia” Exposição fotográfica de Alfredo Cunha

“E neesta maneira Sor dou aquy a vosa alteza do que neesta vosa terra vy e se aalguű pouco alomguey, ela me perdoe, ca o desejo que tijnha de vos tudo dizer mo fez asy poer pelo meudo…deste porto seguro da vosa jlha da vera cruz oje sesta feira prim.o dia de mayo de 1500”. (Carta do achamento do Brasil a D.Manuel I, escrita por Pero Vaz de Caminha)

Este “Livro da Maia- 2021” traz-nos uma narrativa fotográfica da Maia no ano de 2021. Uma narrativa da nossa realidade – num tempo difícil, concreto e específico - vista, sentida e apreendida por um dos maiores vultos da fotografia portuguesa, Alfredo Cunha, que dispensa encómios, já que a sua extensa obra fala por ele.
Uma narrativa, um testemunho multifacetado, que autor-fotógrafo-artista teve toda a liberdade em construir e que resulta do seu génio, sensibilidade, inteligência, técnica e talento.
É um “olhar para dentro” protagonizado por “alguém de fora”, despido de qualquer preconceito ou guião-prévio. O resultado é surpreendente. Surpreendente para todos os que são de fora (como o autor é) e folhearão este livro e sobretudo surpreendente para todos os que sendo de dentro, nunca viram o dentro a que pertencem com esta perspetiva.
Assim, o mérito evidente deste “Livro da Maia - 2021”, não assenta apenas na qualidade excecional das fotografias, na qualidade da paginação ou da impressão (que são notáveis), mas também – e sobretudo – na sua já referida capacidade de surpreender, de espantar, de fazer pensar e levar a questionar, quem da Maia nada sabe e quem da Maia tudo, ou quase tudo, julga saber.
Sou levado a crer que Alfredo Cunha, na construção desta obra, sentiu a mesma perplexidade e fascínio que sentiu Pero Vaz de Caminha ao escrever a célebre carta a D. Manuel I, dando-lhe notícia do “achamento do Brasil”, nela descrevendo as suas impressões, as impressões de um território completamente novo para ele e que a carta teria que de certa forma mostrar e explicar.
Este “Livro da Maia” é, na verdade, uma explicação visual, do território, físico e também mental, construída a partir daquilo que impressionou o seu autor no momento em que “o acha”, no momento em que o descobre, em que nem sequer a vivência coletiva de uma pandemia é escamoteada ou disfarçada, por razões de ordem estética.
Neste “Livro da Maia – 2021” é surpreendente (mais uma vez este termo, já que não há outro melhor) percebermos quão complexa e riquíssima a Maia é
…campo, cidade, monte, rio, trabalho, lazer, memória, ordenamento, criatividade, prado, tradição, máquina, edifício, arte, técnica, ciência, estrada, detalhe, aprendizagem, desordem, caminho, sentimentos, torre, criança, adolescente, adulto, idoso, casa, ruína, high-tech, aço, feno, templo, energia, vazio-urbano, poste, densidade, azenha, vereda, aeroporto, fio, gado, metro, cabo, ilusão, sonho, utopia, distopia, passado, presente, futuro, realidade….
Alfredo Cunha deambulou – acompanhado pelo Mário Aguiar – pelas sete partidas da Maia, um verdadeiro trota-mundo do mundo que a Maia é, captando-a do alto da Torre Lidador, abarcando-a toda até ao limite do horizonte, e apreendo-a de perto, à distância curta, diria íntima, em que o mais pequeno dos detalhes se deixa descobrir. Com este exercício criador de distanciamento/aproximação, com este “jogo” que o autor decidiu estabelecer com este “tabuleiro” que é a Maia, somos levados a descobrir na abstração geométrica das linhas e dos ângulos uma organicidade irreverente, e na organicidade concreta uma geometria secreta que lhe permite a consubstanciação, e que nos remete, necessariamente nos remete, para uma possível leitura – ou reinterpretação - “territorial” do “Cânone das Proporções”, tornado “lei” por Leonardo e por ele genialmente ilustrado com o “Homem Vitruviano”.
O que dessa deambulação, dessa “andança”, resultou, aqui está, em todas matizes que tem o preto e que tem o branco, materializando-se num livro-obra-de-arte. Um livro que nos testemunha, no passado que herdamos, no presente que construímos e no futuro que desejamos para quem depois de nós virá. Um testemunho de uma comunidade heterógenea, que faz precisamente dessa heterogeneidade a sua unidade, uma comunidade em permanente crescimento, e por isso cada vez mais complexa e rica.

Mário Nuno Neves
Vereador dos Pelouros da Cultura e do Planeamento Territorial.

Fonte: https://www.cm-maia.pt/institucional/agenda/evento/o-livro-da-maia-exposicao-fotografica-de-alfredo-cunha
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